- I -
Prá lá de secular é a tua resistência
Testemunhando tantas vindas e idas
Vivenciando quantas manhãs floridas
Vidas que dividiram da tua existência.

Em tuas folhagens esperança e vivência
Baloiçando emoções às vezes partidas
Na acidez de algumas tristezas vividas
Acomodaste sonhos de sobrevivência.

Participava da alegria de quem chegava
Como também da saudade de quem ia
Presenciaste até quando a lágrima rolava.

No aceno daqueles que diziam adeus
Mas, confiantes que voltariam um dia
Para junto dos amores que são seus.

- II -
Hoje, tu te encontras abandonado
Não és mais brincadeira das crianças
Em teus galhos pulavam sem temperanças
De uma infância já distante no passado.

Mas permaneces em teu destino enraizado
Guarnecendo firmemente essas lembranças
De um tempo que fora de bonanças
Sob escombros encontra-se soterrado.

Solidários a ti, apenas teus únicos companheiros
Um solitário cajueiro, velando o que foi um lar
Além de velhas palmeiras e de dois umbuzeiros.

Vivem também nas areias brancas daquele lugar
Quais pastores aguardando os seus cordeiros
Que pelos campos saíram, mas logo irão voltar.

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Francisco Valentim, de Bocaina - PI,  tem na literatura uma marca em sua existência. Editou seu primeiro livro de poesias “Horizontes da Liberdade” – 2001 e tem um segundo, “À Margem do Tempo”, ainda inédito. Membro da Academia de Letras da Região de Picos e da União Picoense dos Escritores, gosta da poesia de Gregório de Matos Guerra, de Augusto dos Anjos, Hardi Filho, Francisco Miguel de Moura, Altevir Alencar, Gilson Chagas, Vilebaldo Rocha, etc.  Cita Allan Kardec: “De todas as liberdades, a mais inviolável é a de pensar, que compreende também a liberdade de consciência”.

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Apoio Cultural – Luiza de Moura Carvalho, Deolinda Marques, José Aécio Bezerra Lima, Rosa Luz, Francisco das Chagas Sousa, Ana Chirles, Osvaldo Marques, Antonio de Sousa Cavalcante, Carlos Hamilton, Raimundo Macau, Prof. Valmir, Fábio Barros, Francisco Varton e Secretaria Municipal de Cultura de Bocaina – PI