A porta da alma
Postado por Clube Em 01 Aug 2007 | Em: Antologias
Ah! Que arrombadas portas já tive
Escancaradas e estupradas
De pontapés e carícias.
Ah! Quantas vezes já deixei
Portas abertas na vida,
Onde seres e mágoas iam e vinham
Sem que eu pudesse contê-los.
O mundo me fez amargo
E fechei minha porta a tranca.
Nada mais infiltrou-se na vida
Que um dia já foi esperança.
Já tentei de duplo modo
Querer ser feliz nessa vida.
Como, afinal, proceder?
Se a porta abro,
Acertam-me a enxurradas,
Se, ao contrário, a fecho
A vida possível se apaga?
A idade, porém, me responde
Com cristalina verdade.
Que a porta deve deixar
Passar a vida num feixe de sol.
Que a porta deve deixar
Sair o que tenho de melhor.
Descobri, ainda a tempo nessa vida,
Que a porta entreaberta é a melhor porta.
Não importa o que digam, não importa.
***
Marcílio Teixeira Marinho Filho, do Rio de Janeiro - RJ, foi
criado cercado por livros e cultura, com pais professores e intelectuais. Uma biblioteca com cerca de sete mil volumes em casa fez das Letras parte de seu quotidiano. Com estilo duro e contundente, usa a poesia como um punhal. É admirador de Fernando Pessoa, João Cabral de Melo Neto e Gonçalves Dias.
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Adriano dos Reis Brito Pimenta, Passos - MG, classificou-se no Concurso Nacional de Poesia edição “Cruz e Sousa”, em 2004. Gosta e lê, entre outros, Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles e Pablo Neruda. Como pensamento adota: “Não há melhor fragata que um livro para nos levar a terras distantes”, Emily Dickinson e “O sucesso resulta de cem pequenas coisas feitas de forma um pouco melhor. O insucesso, de cem pequenas coisas feitas de forma um pouco pior”, Henry Kissinger.
Wilson de Jesus Costa, do Rio de Janeiro - RJ, é pesquisador, revisor, autor de “Reflexo do anúncio luminoso” (1980, Editora Achiamé), escreve poesias desde os dezesseis anos, e só agora começa a publicá-las. Colaborou nas enciclopédias Delta-Larousse, Mirador Internacional e Dicionário de Ciências Sociais (1986) da Fundação Getúlio Vargas. Pensamentos mais usados: “Todos são iguais perante a lei, apenas alguns são mais iguais” (Beaumarchais) e “Dieu bendit l’homme non pour avoir chercher, mais pour avoir procurer” (Kierkegaard).
