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Limite

Postado por Clube Em 02 Aug 2007 | Em: Antologias

A moldura da janela
Limita minha visão
Mas também tira a tramela
Da minha imaginação

Existe o mundo que vejo
E aquele que imagino
Ambos estão entranhados
Um é pedra o outro é limo

O mundo que se descortina
Pelo umbral de uma janela
Entra na porta dos olhos
Sem bater sem fazer trela

É uma imagem pequena
Retalho do infinito
Incompleto pensamento
Carente de colorido

O mundo que se descortina
Na minha imaginação
Sai pela porta dos olhos
E afeta a minha visão

Faz da imagem um todo
Completa o infinito
Colore o preto e branco
Define e dá sentido

O mundo, agora completo,
De duas visões a junção
Da moldura da janela
E da minha imaginação

Dissolve-se totalmente
Quando saio da janela
E se forma diferente
Quando o outro chega nela

***

Maria Melânia Calado Alves Vieira, de Quipapá - PE, desde criança descobriu sua paixão pelo pensamento escrito, a poesia e a filosofia. Admira Fernando Pessoa e sua coragem em mostrar para o mundo que não tinha um estilo único, mas um estilo próprio de ser único na multiplicidade da sua arte de escrever.

Na palma da mão

Postado por Clube Em 02 Aug 2007 | Em: Antologias

Grande ou pequeno
começo sempre o dia
na palma da mão.
Tarde ou cedo
estou a me iniciar
na palma de sua mão.
De limão, camomila
ou mesmo sem cheiro
sou sempre o mesmo.
Uns muito me acariciam…
Vou me diluindo por inteiro,
vou me derretendo todo.
Com os outros
tenho um encontro mais fugaz,
vou ficando seco,
chegando mesmo a endurecer.
Os odores,
matinais e tardivais,
perduram
nas miríades de fragrâncias
que posso assumir.
Grande ou pequeno
sei bem me mimetizar.
Cabe a você a escolha
do meu visual, e da minha fragrância.
Nas modernidades, tenho me liquefeito.
E acreditem, agradado muito
aos mais abastados.
Em alguns casos, chego a custar tanto
que eu mesmo me espanto.
Quando em pó, não gosto.
É meu ofício mais impessoal
o de sua roupa lavar.

***

Maria Tereza Pontual Colasanti, do Rio de Janeiro - RJ, justifica a poesia com “Na palma da sua mão”, depois que Carlos Drummond de Andrade instigou novos debates sobre “No Meio do Caminho”. De tudo que a autora leu, cita Luigi Pirandelo (“Assim é, se lhe parece”), Sussana Tamaro, Campos de Carvalho e Clarissa Pinkola.

O Brasil no lombo do burro

Postado por Clube Em 02 Aug 2007 | Em: Antologias

No lombo do burro, o nosso Brasil
Transportava as inúmeras riquezas.
Aos nossos brasileiros faltava brio.
Davam o quinto à Coroa Portuguesa!

No lombo do velho burro levavam
Ouro das Minas Gerais, com certeza!
O quinto era sagrado, surrupiavam,
Seguia até o navio, que tristeza!

Rios, serras, montanhas atalhava,
Demorava dias, mas chegava ao cais.
Portugal exigia, a Colônia enviava
O ouro proveniente das Minas Gerais

À Inglaterra, Portugal também devia
E com o ouro das Minas Gerais pagava.
Portugal sugava a colônia que pedia.
Por quantos atalhos o burro passava?

Tardou, mas obtivemos a Independência,
Com muito sacrifício e perseverança.
Suportamos anos e anos com paciência,
D. Pedro I era a última esperança!

No lombo do burro, hoje o nosso Brasil
Ouro das Minas Gerais não transporta.
O nosso meio ambiente agrediu, poluiu.
O desemprego está batendo a nossa porta!

***

Custódio Martins Formoso, de Santa Rita do Passa Quatro - SP, é poeta, compositor, e tem suas obras editadas em cerca de vinte antologias e publicação num periódico italiano. Além dos poetas, gosta de ler José de Alencar e José Mauro de Vasconcelos. Trabalhou com várias editoras do Brasil em livros cooperativados e almeja o projeto do livro solo.


Blog Trivial do Sergio Grigoletto