Ânsia cósmica
Postado por Clube Em 04 Aug 2007 | Em: Antologias
Quero ser de mim meio termo
Nem povoado nem ermo
Estarei pleno com meia constelação.
Para o pássaro solitário
Que em mim habita
Uma só estrela já é constelação
Um asteróide a mais a ânsia regurgita
E o pássaro que exercito tropeça na visão.
Afinal, me solto a voar
Nas ilusões do espaço
Onde flanar não gera cansaço
E estrelas são meros estilhaços
De um mundo que se desprendeu.
São sobras também de um mundo meu
Que, sedento de outro, tudo absorveu.
E passo a me alimentar de faíscas
De ilusões disfarçadas de iscas
Espreitando esta fome subliminar
De no vácuo absoluto chegar.
Chego, e percebo que o vazio do cosmos
Tem algo sereno, tem a paz de quem espera
Alguma coisa de pleno, pra esta ânsia saciar.
Findo por pousar, mas, na verdade, gravito,
Pois, quem chegou no infinito, pôs a alma no lugar.
***
Carlos Márcio Feitosa Furtado, de Belo Horizonte - MG, conta que a literatura sempre exerceu forte atração sobre si. Passou por Schopenhauer, Sartre, Soren Kierkegaard, Fernando Pessoa, Aldous Huxley, Kafka, Albert Camus, Rilke, J. J. Rousseau, Bergson, Pascal, Nietzsche, Voltaire, André Malraux, Simone de Beauvoir, entre tantos outros. Na literatura brasileira, Clarice Lispector e Lya Luft. Ainda destaca Cecília Meireles, Drummond de Andrade, Mário Quintana, Paulo Leminski, Adélia Prado e Vinícius de Moraes. Na estrangeira, exalta Baudelaire, Arthur Rimbaud, Neruda, Walt Whitman, Lorca, Florbela Espanca e Sophia de Mello Breyner Andresen.
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Douglas Faria Soares, de São João do Manteninha - MG, tem um livro inscrito na Casa de Cultura Mário Quintana, um feito para um autor ainda inédito. Ávido leitor de Augusto dos Anjos, Mário Quintana e Carlos Drummond de Andrade, a eles deve sua formação na poesia. “Aedes Aegypt” é sua primeira obra em livro.
Luiza de Marilac Ramos da Silva, de Serro - MG, escreveu o livro “O porão misterioso”, que pretende reestruturar. “Gosto de lutar com as palavras, como diria Drummond: Lutar com palavras/ parece sem fruto/não têm carne e sangue/entretanto, luto./Palavra, palavra/(digo exasperado)/Se me desafias,/aceito o combate”. Confia sua formação crítica a Vinícius de Moraes, Cecília Meireles, Gonçalves Dias, Machado de Assis e José de Alencar.