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O roubo

Postado por Clube Em 05 Aug 2007 | Em: Antologias

Em uma meia-noite agreste,
quase durmo ao som do silêncio,
quando ouço batidas aos meus umbrais

Abro a porta e vejo,
um vulto preto,
entrar na minha sala
e pousar ao lado dos meus sais

Ao piscar o olho me deparo,
com um corvo preto funerário,
pousado sobre um dos meus castiçais, dizendo:
“o anel libertar-se vai mas a consciência, jamais”.

***

Priscila Zucas Tapajós Santos, de São Paulo - SP,  foi incentivada pela mãe, Carla, a mandar uma poesia sua para a II Seletiva de Poesias, Contos e Crônicas de Barra Bonita. Foi selecionada com “O piano” que é uma crítica ao enfadonho, ao que martiriza, chamando a atenção pela densidade poética, em se tratando da autora ser apenas uma garotinha. Seu aprimoramento dentro da arte literária é fruto da vontade de viver a poesia que existe em si.

Canto nordestino

Postado por Clube Em 05 Aug 2007 | Em: Antologias

Tenho uma alegria especial
ao ouvir o canto popular
algo bêbado e eufórico
suficientemente ingênuo
para ser feliz ao pronunciar-se
sem necessidade
de aprovação ou agrado

Assim ouço o triângulo
a zabumba e o pandeiro
numa dança quente e
contagiante desafiando
as vozes nordestinas
que tropeçam na língua
dormente da cachaça
e nas letras sinuosas
de músicas diversas
que consigo trazem
o tempo amarrado
na entonação
nos gritos
na performance destes
artistas de rua
que encenam livremente
não sei se pelo calor da cachaça
ou se pelo transe que o próprio
ritmo nordestino oferece
ao celebrar a alegria

Vou ouvindo e minha alma
dança no ritmo deste povo

***

“À  Vivaldina, minha mãe. Nordestina, encantadora ao falar de Otelo, Almirante e Veneza, seus cães na infância”

***

Antonio Caetano de Souza, de São Paulo - SP,  tem as poesias “Passageiros do Tempo” e “Inacabado” em antologia poética e gosta de Fernando Pessoa e Carlos Drummond de Andrade, dentre outros poetas. Considera Dom Quixote, de Miguel de Cervantes, e Dom Casmurro, de Machado de Assis, dois grandes marcos na literatura. “Navegar primeiro, aportar depois/Viver primeiro, morrer depois”, em poema de Mário Quintana, é o pensamento.

Mulher sem culpas e Bisbilhotice em V

Postado por Clube Em 05 Aug 2007 | Em: Antologias

Mulher sem culpas

Feliz daquela criatura que não vive os rigores do alface e da água pura.
Nem padece as imposições e as dores da cruel ditadura das curvas perfeitas
e dos horrores ao menor palpite sobre a sua imaginária celulite.

Linda é a mulher sem culpas, sem anorexia nem bulimia.

“Viva o jeans sobre o pneuzinho!”; Abaixo a “Via Crucis” da modelo e da atriz.
Parabéns a você, mulher.
Autêntica.
Feliz.

Bisbilhotice em V

Vejo
vazar
vagarosamente
(pelo vitral)
o vistoso Chiant,
do vasilhame de vidro verde-vêneto,
para a veemente voracidade da garganta
de Vossa Reverendíssima.

***

“A Higino Elias, pai, e Loide de Araújo, esposa”

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Maurino Nobre do Nascimento, de Ji-Paraná - RO, estudou Teologia, foi missionário indigenista e em 1999 conquistou Destaque Especial no XX Concurso Nacional de Poesias da Revista Brasília. Desde cedo gosta de escrever poemas. Dado aos cursos e estudos, leu muito e os mais variados autores, sem definir uma preferência específica.