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Decisão irrecorrível do amor

Postado por Clube Em 07 Aug 2007 | Em: Antologias

Um traço perpendicular,
Suaviza o meu rosto e corpo,
Estava o meu pensar na candonga,
No penhasco lúgubre e indevido.

Não tive mais tempo,
E nem o tempo se apressou,
Não houve oportunidade,
Para matar toda a saudade.

Daquela linda candonga,
Que num certo dia se aflorou,
Nas luzes dos meus olhos,
Fez de um beijo todo o clamor.

Pleiteio o meu direito irreversível,
Sem te entregar nenhuma caução,
Tudo se achava dentro do meu coração,
E agora, pretendes fazer liquidação.

Não haverá jamais contestação,
E tão poucas impugnações,
O teu direito já está precluso,
Terás que aceitar sem resignação.

Vou reivindicar todas as carícias,
Proferindo uma longa decisão,
Decretando por sentença irrecorrível,
Que o meu sempiterno amor,
Será somente teu sem haver contradição.

Não haverá recursos procrastinatórios,
O meu amor já fizera todas as razões,
Aventadas na admissibilidade do teu coração,
Ventiladas na discussão com muitas emoções.

Incabível e desprovido será o exame,
Da matéria do amor em discussão,
Não será admissível nova ação,
A sentença do amor, tu irás cumprir,
Calada e sem direito a duplo efeito,
Não gerando qualquer apelação.

Vou despachar um longo abraço,
Neste arrazoado de paixões,
Recebas este singelo decisório,
Fazendo cumprir a lei do amor,
E venha morar na minha feição.

***

Erasmo José Lopes Costa, de Caxias - MA,  escreve desde os nove anos de idade, participou e foi laureado em vários eventos literários com poesias, contos e crônicas (nacionais e internacionais) e tem hoje respeitável acervo, que pretende editar em livro solo. Suas obras compõem inúmeras antologias.

Lascas de saudade perdidas

Postado por Clube Em 07 Aug 2007 | Em: Antologias

Espelhos quebram à medida em que os tempos… Passam,
repetem as cenas que serviram como exemplos,
tal como o pó espalhado pelos ventos,
foi encobrindo tanta história em muitos templos.
Porém o vento e também o tempo é que descerram
todas relíquias, transformando a história em lascas,
já submersas nas imagens do passado, as quais encerram
por muito tempo, as nossas lendas eternizadas.

Assim me espelho nos exemplos singulares,
onde verdades fazem morada inevitável,
para expeli-las como pó em muitos pares,
das futuras gerações em que o vento inabalável,
persistente e indomável, leva esperanças nos futuros
com amor, com união e aonde talvez exista a paz,
pois hoje os exemplos estão em templos muito duros
e invulneráveis, que só o tempo invencível os desfaz.

Agora, entendo que os exemplos vêm dos espelhos,
que as mentiras são as verdades passageiras,
não se eternizam nem se prestam como conselhos,
porque dos templos são as lascas mensageiras
as quais farão parte de um conjunto de saudades
que em meio ao pó enterrará a minha história
passageira, entre as mentiras ou verdades,
eternizadas pelo tempo, o mesmo que levou minha memória.

(As palavras em negrito formam um novo elemento) 

***

Condorcet Aranha, de Joinvile - SC,  tem inúmeras premiações em eventos literários e antologias, é membro de clubes e associações literárias nacionais e internacionais e gosta de Luís de Camões, Olavo Bilac, Casimiro de Abreu, José Geraldo Vieira e Castro Alves, entre outros. E diz: “Escrevo porque sei, porque acordo vivo”.

Homem sem terra

Postado por Clube Em 07 Aug 2007 | Em: Antologias

Surge no horizonte da estrada
Um vulto balanceando
Uma figura pacata
Esgotada tropeçando
Tráz no semblante as marcas
Do quanto vive penando.

As costas já em feridas
Pela mochila pesada
A roupa grossa em costuras
E um chapéu desabado
É ele o homem sem terra
O nosso valente soldado.

Na luta do dia-a-dia
Deposita confiança
Na terra que plante e colhe
Sua verdadeira esperança
Defende e morre por ela
Com aparente ganância

Por esta terra que luta,
Enfrenta o sol e a poeira
A chuva torrencial
Feras e riscos em fileira
A doença inimiga
E às vezes a morte traiçoeira

Tudo só por um quinhão
Onde possa ser senhor
Tudo por sua família
A quem devota seu amor
Tudo isto por Rondônia
O nosso Estado em flor.

Olhai senhores do mundo
Por esses pobres coitados
Dar-lhes terra, dar-lhes escolas,
E sentir-se-ão saciados
E em troca nos darão,
Além do pão, um forte Estado.

***

Adailton Guimarães, de Porto Velho - RO,  travou contato com a literatura no ginásio. Gostava de ler Machado de Assis, Castro Alves, Gonçalves Dias, Cecília Meireles, José de Alencar, José Américo e outros. Além desses, gosta também de Nelim Monti. “Descobriu-se” poeta respondendo uma questão da filha: “Simone querida/Vida de minha vida/Razão do meu viver/Daria a própria vida/Em troca de tua vida/Pra não te ver sofrer”.


Blog Trivial do Sergio Grigoletto