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Saudades da terrinha

Postado por Clube Em 08 Aug 2007 | Em: Antologias

Cabral cá chegou e que cabal!
Cá invadiu disfarçado
nas roupas que vestia, opá!
Os índios, – sem alegoria –
inocentes e nus
nunca se despiriam, né?

Ai, Maria, que saudades da terrinha!
Ma que nome tens , madonna mia!
Maria fumaça
Maria tatame

Maria chuteira
Maria gasolina
Maria batalhão
Maria creolina

(“… em Banho Maria…”).

Ô pessoal que fala esquisito, tchê!
Só falta comer as mangas
das vestimentas e as nuvens
do “tem pão de chuva”!

Fui ao show e o espetáculo fora em português!
Recebi uma pizza delivery e pensei comer em inglês!
Estava eu on-line e quase que o trem pegou-me!
Sucker eu sou: suco não era e o tolo sou eu quem bebia…

Xenofobia é uma palavra internacional, Maria!
Que saudades daquela terrinha!
Que saudades do meu português brasileiro, de um mundo menos estrangeiro.

***

Lucas Alvares Hayashi, de Penápolis - SP,  tem na atividade literária seu meio de expressão da vida; é dos autores  cujas licenças poéticas integram seus textos, compulsórias até. Seus textos tratam de atualidades com inteligência e fina ironia. Mais madura e comunicativa, sua arte evolui a cada dia.

Tão longe, tão perto

Postado por Clube Em 08 Aug 2007 | Em: Antologias

Tão longe de mim, teus pensamentos
E mais longe ainda, tuas emoções…
Tão perto assim. E tão distante.

Só digitar “Olá, como vai”, “Recebi seu mail, obrigado”
Ou tomar do carro e dirigir por quinze minutos,
pra dizer nada importante. Um “nada”, importante:
“Vim te ver. É carnaval, bateu a solidão”.

Fazer um programa singelo, sem complicações
como um cinema, um bar, conversar da vida
com um copo de uísque na mão. Que bom!

Faríamos das horas, agradáveis impressões
E quem sabe, num instante impreciso
Num gesto (sabe…) disfarçado de distraído,
tomarias de minhas mãos.

Poderia ser nada, poderia ser promessa.
Poderia ser o conforto imediato, um regalo.
Me bastaria como breve fuga da solidão.

***

Sonia Presa Caggiani Salzberg, Campinas - SP,  identificou-se com os Amigos de Letras no evento do grupo em Serra Negra – SP, tendo comparecido como convidada. Depois, teve a poesia “A gata” selecionada para a antologia “Olhos d’Alma”, retirando dessas participações a motivação para escrever prosas, especialmente para participar das antologias editadas pelo Clube.

Cadê o brilho dos meus olhos

Postado por Clube Em 08 Aug 2007 | Em: Antologias

Cadê o brilho de meus olhos de quando era criança,
Que me dava a esperança de fé, amor e carinho
De um jeito que eu não me sentia sozinho
Que me dava a certeza de dignidade
De ver um mundo cheio de caridade.

Cadê o brilho dos meus olhos que brilhava todo dia,
De um modo que eu não sentia medo nem agonia
Que por onde eu andava, mostrava felicidade
A uma grande cidade
Que só possuía medo, tristeza e nostalgia.

Cadê o brilho dos meus olhos que agora se apagou
Que cego me deixou
De um jeito rápido e imperceptível
Que agora eu sinto vontade
Daquele brilho que me deixou com eterna saudade.

***

Henrique Armando Azevedo Gabriele, de São Paulo - SP,  foi trazido para o Clube Amigos das Letras pelas mãos do tio, o Amigo de Letras Geraldo Lustre. Jovem ainda, tomou o gosto pela leitura de poemas de variados autores. Com poemas construídos a partir de momentos, retrata sua visão do mundo que o cerca na grande cidade.


Blog Trivial do Sergio Grigoletto