O corpo cambaleante, os passos trôpegos,
assim é o pobre homem sem destino…
outrora tão valoroso, de pisar hirto
vendo a vida passar, e, agora,
vai se arrastando pela vida…

É como estar num palco no terceiro ato,
já não brilha no proscênio, a luz o incomoda
espera o cair da cortina, o fim do espetáculo.
onde tanto brilhou, atualmente se ofusca
bamboleia uma carcaça quase inerte
muito ofegante, mal respira
tropeça, só não cai porque tem fibra…

Andar nas ruas não mais lhe apetece
pois não achará mais a moça bela
nem passará por ela, a quem tanto amou
mas não foi por ela amado
também, no perpassar de um pelo outro
nem a veria, pois tem da velhice a miopia

Porém, nada importa no momento
pois o velho não mais verá a moça bela
provavelmente ela será moça passada,
e esbarrando-se um pelo outro, só resta senilidade

Não sejamos o velho, nem certa moça
passeando nesta vida, sem amor e sem pecado
para não cambalearmos na frente da ribalta
caídos no final da cena,
vendo o baixar lento das cortinas…

***

Wilson de Jesus Costa, do Rio de Janeiro - RJ, é pesquisador, revisor, autor de “Reflexo do anúncio luminoso” (1980, Editora Achiamé), escreve poesias desde os dezesseis anos, e só agora começa a publicá-las. Colaborou nas enciclopédias Delta-Larousse, Mirador Internacional e Dicionário de Ciências Sociais (1986) da Fundação Getúlio Vargas. Pensamentos mais usados: “Todos são iguais perante a lei, apenas alguns são mais iguais” (Beaumarchais) e “Dieu bendit l’homme non pour avoir chercher, mais pour avoir procurer” (Kierkegaard).