Abro o armário
Do quarto central onde durmo
Na primeira gaveta, a mais segura,
Guardo a indumentária
E saio nua no escuro

Procuro para além dos recantos abissais
Aquilo que de mim não sei
Atrevo-me por lugares obscuros
Teias de aranhas enrolam horizontes
E prendem os meus pés
Cristais sustentam catedrais
E põem luz no meu olhar
Eu hei de achar
A significação primeira
Nessa viagem temporária.
Ou ela estará lá, já
Matreira, sorrateira
Na gaveta do armário
Do quarto central, onde durmo,
Na primeira?

***

Letícia Marcondes Rezende, São Carlos - SP, diz que sua reflexão em lingüística a deixa sensível às questões de línguas e de linguagem e exige forte introspecção, facilitando a auto-análise e a emergência de representações profundas e significativas. Gosta dos poetas contemporâneos brasileiros e clássicos franceses: Verlaine, Rimbaud e Baudelaire.