Nosso momento literário
Postado por Clube Em 08 Aug 2007 at 10:52 pm | Em: Antologias
Admiremos as pessoas que fazem. Aprendi a não comentar antes com ninguém de projetos ou idéias que tentarei colocar em prática. Talvez eu tenha aprendido mesmo é com o Sérgio Grigoletto, que, de uma hora pra outra brinda nosso tempo com outra produção supra literária, pois mostra como a arte escrita pode ser de valia muito adiante do que até então se podia supor.
Produto puro e genuíno da liberdade de pensar, as inquietações, calores e pulsares de nossa época são colocados no alto andar que merecem. Nossos textos podem estar longe de serem masterpieces. São a biografia da vida agora, do coração hoje, do mundo cujo ar é respirado neste exato momento. Relatos, impressões pessoais, poemas, liras embriagadas da necessidade de escrever, da possibilidade de montar uma rima ou uma frase quiçá perfeita, é o que veremos de agora em diante ao virar cada uma destas páginas, verdadeiras “radiações de um corpo negro”.
Como nem percebemos, estamos fazendo história ao penetrar em discussões que podem estar na pauta da humanidade há séculos. Nossa imersão no mundo da literatura é mais profunda do que pensamos, porque estamos despidos da cultura capitalista, a qual teve usurpado seu trono de “única-comandante-das-ações” para que a doçura de reencontrar amigos, comentar seus textos, editar um livro a muitas mãos, exerça sua tarefa sábia e sagrada de ver nascer obras de todos os lugares deste país.
Sim, porque um texto só existe quando é lido, quando é posto à prova monocrática de quem o toma pelas mãos e o transforma de papel e tinta em gota de experiências, anseios e temores.
A proposta literária do Clube Amigos das Letras é sempre desafiadora e responsável por fazer uma inclusão social que nada tem a ver com diplomas, faculdades e academias. Jamais profissionais que se dizem possuidores de certificados reconhecidos ou não pelo MEC. terão a verve de quem se sente instigado a abrir o computador ou pegar na pena com o intuito de derramar sua alma para que uma outra pessoa que ele nem conhece possa recolher tais impressões, de maneira a acrescentar algo ao leitor após tal apreensão. Se bem quiserem notar, todas a minibiografias nas antologias do Clube Amigos das Letras não fazem sequer uma referência a títulos e comendas. Remetem apenas ao afazer literário de cada um, o que é uma prova inconteste do valor da obra, do autor, e não de seus títulos.
Fui chamado a uma Delegacia de Polícia para depor no que seria um inquérito contra minha pessoa e aos jornais que me publicam, porque não sou jornalista profissional. Tal Sindicato me acusa de crime contra o emprego e falsidade ideológica, dentre outros. Ato contínuo, meus editores estão aguardando o trâmite do processo e não publicarão mais meus textos até que tudo se resolva, intimidados que estão. Sinto-me amordaçado, vivendo um retrocesso de quarenta anos, e faço desta minha apresentação a esta coletânea um libelo a favor da liberdade de expressão, cujos maiores representantes são vocês, escritores que deixam de ser anônimos a partir de agora e dão uma banana aos boçais incapazes e invejosos, de cuja pena jamais sairá uma frase poética, porque são secos e rasos. Viva a liberdade!
Marcondes Serotini Filho - Barra Bonita - SP
Ortodontista, cronista e autor dos livros:
“O Sonho: Crônicas Escolhidas”
“Os Caçadores de Tirisco”
