Na palma da mão
Postado por Clube Em 02 Aug 2007 at 03:52 pm | Em: Antologias
Grande ou pequeno
começo sempre o dia
na palma da mão.
Tarde ou cedo
estou a me iniciar
na palma de sua mão.
De limão, camomila
ou mesmo sem cheiro
sou sempre o mesmo.
Uns muito me acariciam…
Vou me diluindo por inteiro,
vou me derretendo todo.
Com os outros
tenho um encontro mais fugaz,
vou ficando seco,
chegando mesmo a endurecer.
Os odores,
matinais e tardivais,
perduram
nas miríades de fragrâncias
que posso assumir.
Grande ou pequeno
sei bem me mimetizar.
Cabe a você a escolha
do meu visual, e da minha fragrância.
Nas modernidades, tenho me liquefeito.
E acreditem, agradado muito
aos mais abastados.
Em alguns casos, chego a custar tanto
que eu mesmo me espanto.
Quando em pó, não gosto.
É meu ofício mais impessoal
o de sua roupa lavar.
***
Maria Tereza Pontual Colasanti, do Rio de Janeiro - RJ, justifica a poesia com “Na palma da sua mão”, depois que Carlos Drummond de Andrade instigou novos debates sobre “No Meio do Caminho”. De tudo que a autora leu, cita Luigi Pirandelo (“Assim é, se lhe parece”), Sussana Tamaro, Campos de Carvalho e Clarissa Pinkola.
