A moldura da janela
Limita minha visão
Mas também tira a tramela
Da minha imaginação

Existe o mundo que vejo
E aquele que imagino
Ambos estão entranhados
Um é pedra o outro é limo

O mundo que se descortina
Pelo umbral de uma janela
Entra na porta dos olhos
Sem bater sem fazer trela

É uma imagem pequena
Retalho do infinito
Incompleto pensamento
Carente de colorido

O mundo que se descortina
Na minha imaginação
Sai pela porta dos olhos
E afeta a minha visão

Faz da imagem um todo
Completa o infinito
Colore o preto e branco
Define e dá sentido

O mundo, agora completo,
De duas visões a junção
Da moldura da janela
E da minha imaginação

Dissolve-se totalmente
Quando saio da janela
E se forma diferente
Quando o outro chega nela

***

Maria Melânia Calado Alves Vieira, de Quipapá - PE, desde criança descobriu sua paixão pelo pensamento escrito, a poesia e a filosofia. Admira Fernando Pessoa e sua coragem em mostrar para o mundo que não tinha um estilo único, mas um estilo próprio de ser único na multiplicidade da sua arte de escrever.