Surge no horizonte da estrada
Um vulto balanceando
Uma figura pacata
Esgotada tropeçando
Tráz no semblante as marcas
Do quanto vive penando.

As costas já em feridas
Pela mochila pesada
A roupa grossa em costuras
E um chapéu desabado
É ele o homem sem terra
O nosso valente soldado.

Na luta do dia-a-dia
Deposita confiança
Na terra que plante e colhe
Sua verdadeira esperança
Defende e morre por ela
Com aparente ganância

Por esta terra que luta,
Enfrenta o sol e a poeira
A chuva torrencial
Feras e riscos em fileira
A doença inimiga
E às vezes a morte traiçoeira

Tudo só por um quinhão
Onde possa ser senhor
Tudo por sua família
A quem devota seu amor
Tudo isto por Rondônia
O nosso Estado em flor.

Olhai senhores do mundo
Por esses pobres coitados
Dar-lhes terra, dar-lhes escolas,
E sentir-se-ão saciados
E em troca nos darão,
Além do pão, um forte Estado.

***

Adailton Guimarães, de Porto Velho - RO,  travou contato com a literatura no ginásio. Gostava de ler Machado de Assis, Castro Alves, Gonçalves Dias, Cecília Meireles, José de Alencar, José Américo e outros. Além desses, gosta também de Nelim Monti. “Descobriu-se” poeta respondendo uma questão da filha: “Simone querida/Vida de minha vida/Razão do meu viver/Daria a própria vida/Em troca de tua vida/Pra não te ver sofrer”.