Um traço perpendicular,
Suaviza o meu rosto e corpo,
Estava o meu pensar na candonga,
No penhasco lúgubre e indevido.

Não tive mais tempo,
E nem o tempo se apressou,
Não houve oportunidade,
Para matar toda a saudade.

Daquela linda candonga,
Que num certo dia se aflorou,
Nas luzes dos meus olhos,
Fez de um beijo todo o clamor.

Pleiteio o meu direito irreversível,
Sem te entregar nenhuma caução,
Tudo se achava dentro do meu coração,
E agora, pretendes fazer liquidação.

Não haverá jamais contestação,
E tão poucas impugnações,
O teu direito já está precluso,
Terás que aceitar sem resignação.

Vou reivindicar todas as carícias,
Proferindo uma longa decisão,
Decretando por sentença irrecorrível,
Que o meu sempiterno amor,
Será somente teu sem haver contradição.

Não haverá recursos procrastinatórios,
O meu amor já fizera todas as razões,
Aventadas na admissibilidade do teu coração,
Ventiladas na discussão com muitas emoções.

Incabível e desprovido será o exame,
Da matéria do amor em discussão,
Não será admissível nova ação,
A sentença do amor, tu irás cumprir,
Calada e sem direito a duplo efeito,
Não gerando qualquer apelação.

Vou despachar um longo abraço,
Neste arrazoado de paixões,
Recebas este singelo decisório,
Fazendo cumprir a lei do amor,
E venha morar na minha feição.

***

Erasmo José Lopes Costa, de Caxias - MA,  escreve desde os nove anos de idade, participou e foi laureado em vários eventos literários com poesias, contos e crônicas (nacionais e internacionais) e tem hoje respeitável acervo, que pretende editar em livro solo. Suas obras compõem inúmeras antologias.