Chove na fazenda.
E a chuva, despudoradamente,
Cobre matas e invernadas
Aproveitando a ausência do vento.
É a água no cio…
A natureza submissa
Acolhe em silêncio
O sêmen gelado

De pingos e gotas
Ejaculados do céu…

Chove na fazenda.
Pássaros miúdos
Desenham estrelas
Nos galhos secos
Da árvore morta.
E o açude, impotente,
Comicha encrespado
Com resignação.

Do Arinos sobe uma neblina densa…
Profana…
Cortina de alcova
Camuflando o gozo do rio
Enquanto altivos buritis
Dissimulam a malícia do olhar
Sob seus cocares verdes
Eriçados pelos varjões.
Cumplicidade.
E as araras, mudas.
Enquanto a chuva despenha.

Chove na fazenda;
É a água no cio.
É o rio em gozo…
No verdor das matas
E amplidão das pastagens,
Vibra a vitória da vida:
Pacto eterno
Entre os Céus e a Terra…

***

“Ao meu marido Francisco e a meus filhos Gabriel, Guilherme e Genoveva”

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Diva Maria Dechen J. Franco, de Colina - SP,  venceu, quando ainda estudante, prêmios literários com contos, publicações em livros. Como compositora, foi destaque em festival musical. Coordenadora pedagógica, confirmou ser a Literatura um suporte mágico para que o aluno adquira autonomia autora e produtora dos diferentes tipos de textos. Membro da ALAB (Academia de Letras e Artes de Barretos), escreve e desenvolve projetos tendo a Literatura como base.