A inveja

A inveja é uma reação normal no ser humano. Tão autônoma quanto a necessidade de alimentos quando se tem fome.

Eu posso sentir inveja se um amigo ganhar sozinho numa loteria, mas vou ficar feliz por ele.

E vou sentir inveja também, se um desafeto ganhar. Mas, óbvio que no caso, não ficarei feliz.

Essa reação natural não pode ser confundida com invejosos crônicos, medíocres indivíduos incapazes de serem felizes com o que têm ou são. Esses, miram o sucesso e qualidades alheias e se remoem de inveja.

O invejoso crônico destruirá, se puder, o que não puder alcançar. Sejam coisas ou pessoas.

Um amigo meu, velho e experiente advogado, relacionou a inveja como um dos defeitos de caráter que pode gerar assassinos. E foram apenas dois os sentimentos que ele citou, mas nem lembro qual era o outro tal minha surpresa com essa revelação.

Uma conhecida minha sofria de enxaquecas… e por inveja. Quando da morte de Ayrton Senna, lembro-me de um seu comentário ao ver o jornal: “De que adianta né… tanto dinheiro…”.

Parece um conformismo com a fatalidade da vida (ou morte)? Mas não é. O que ela realmente estava dizendo, era: “Menos um para eu invejar”.

Um outro caso. Um conhecido vendeu uma bar noturno falido. O comprador dinamizou a casa, fê-la dar lucros e esse que vendeu, bebia, ficava com as mulheres dali sem nunca pagar por isso.

Mas, por inveja, vendo a farta movimentação diária de caixa, denunciou (em anônimo, claro) o local à polícia como prostíbulo.

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