Roda, gigante
Postado por Sergio em 10 Jan 2008 em 02:40 pm | Em: Topetem
PRIMEIRO, A NOTÍCIA:
Uma empresa de eventos está instalando uma roda gigante no Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro.
A estrutura faz parte de uma campanha publicitária da marca de cerveja Skol e será inaugurada em 20 de janeiro.
O público deverá pagar entre R$ 10 e R$ 30 para passear no brinquedo que está a 36 metros de altura e oferece uma vista panorâmica da cidade.
Por estar localizada em um bem tombado pelo Estado, o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Inepac) forneceu uma autorização e está fiscalizando a instalação. “Para liberar o local, exigimos uma contrapartida social da empresa: 200 entradas para o brinquedo serão entregues a alunos da rede pública”, informa o diretor do instituto, Marcus Monteiro.
A roda-gigante estará aberta até o dia 10 de fevereiro.
AGORA,O CHEIRO DELA:
São essas coisas que me fazem acreditar que nós ainda temos conserto. Meninos, jamais percam as esperanças em nosso glorioso Brasil, gigante pela própria natureza, porque ainda vale a pena sustenta-las.
Mirem-se no exemplo desse senhor, Marcus Monteiro, diretor do INEPAC, que pensou possibilidades da oportunidade e converteu-a em realidade.
Vejam como ele conseguiu benesses para a população, quando poderia usar de seu cargo, para proveito pessoal. Graças a ele, duzentas crianças pobres do Rio de Janeiro poderão passear de graça no brinquedo, a roda gigante.
Afinal, bem sabemos que aos preços que cobrarão, (minimo de R$ 10 o passeio) só mesmo para turistas atuchados de dólares, não é mesmo? Para uma família com uma prole, mínima que fosse ela, nem de longe os pais poderiam dispor do dinheiro da feira para o divertimento.
E notaram na notícia, que o brinquedo não é um fim em sí? Ele faz parte de uma campanha publicitária de cerveja, essas, que gastam milhões de reais por mês com publicidade. Milhões e milhões com agências de publicidade, artistas e media televisiva. Sem contar o que gastam no carnaval, com camarotes vips, daqueles, cheio de gostosas. E tudo boca-livre.
Este senhor, o Marcus Monteiro, diretor do INEPAC, não deixou-se molhar a mão pela cerveja. No mínimo, poderia ter aceito um regalo (como alguns convites para o camarote vip no carnaval…), mas não o fez.
Pensou em duzentas crianças pobres do Rio de Janeiro para usufruir da benesse. Não é lindo isso?
Rodem, crianças. Rode, gigante.
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E o Rio de Janeiro é Lula de cabo a rabo. Que nabo.
Que maravilha não é mesmo? Tomara que façam mais rodas-gigante pelo Brasil afora. Podíamos criar uma campanha para isso? Que tu acha?
Abração!
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O que me deixou irritado com essa camuflagem, são os caras pensarem que vai passar “batido”.
Usar do patrimônio público histórico para fins comerciais, tendo por custo a cessão de duzentos ingressos no brinquedo? Ora, me poupem.
Eles poderiam ter montado uma camuflagem mais consistente, não acha?
Da forma que está, não dá para não acreditar em tanta cordialidade (gratuita, é claro).
E pior, cordialidade, com o chapéu alheio (o nosso). Pelos custos de uma campanha publicitária de marca de cerveja famosa, no mínimo, deveriam deixar a roda gigante como presente, para servir a toda rede escolar.
E com manutenção gratuita por, pelo menos, um ano.
Enfim, é o Brasil.
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Toda a rede pública deveria ter acesso gratuito, apresentando carteirinha e documento. Digo isto sem interesse pessoal nenhum, pois os meus filhos estudam em escola particular, estão curiosos pelo passeio de roda-gigante, coisa que não tem na zona sul há muito tempo, porque algum “tecnoburocreuta” interessado em desapropriar um parque de diversões de boa qualidade - me refiro ao Tivoli Park, na Lagoa Rodrigo de Freitas - o fez há anos atrás e não houve “reposição” deste tipo de diversão por aqui, a não ser que você tenha que dirigir quilômetros até a zona oeste ou opte por parques aquáticos, também léguas distantes de Copacabana.
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