Resenha patrocinada: armadilhas
Que muitos blogues ainda se tornarão relevantes no Brasil, não tenho dúvidas. Tudo é questão de tempo, da própria conjuntura do país, do acesso a internet em mais lares e escolas… da Educação enfim.
Relevância significa audiência para o blogue e credibilidade em seu editor. E dessa condição, o formato publicitário conhecido como resenha patrocinada deverá ampliar a parcela de faturamento desses blogues.
Todo comunicador é um formador de opinião e de público, mesmo aqueles que só publiquem papagaios, (1) acreditem. Vivemos uma era de celebridades e muitos dos que mantém blogs apenas para “zoar” e/ou como suporte para um outro negócio, têm uma legião imensa de leitores.
Quanto mais diversificada a sociedade, maior o número de segmentos. Um blogue caminhar para encontro de seu segmento é natural hoje. Imagine depois, quando bem mais que apenas escrever estará envolvido.
Mas não dá para prever até onde iria um processo de mutação do blogar atual, num futuro próximo.
Vejam: se o Fabião do Morróida continuar, chegará a ter um volume de crédito que ficaria difícil um patrocinador interessado em seu público, se incomodar com seu estilo.
No anúncio de um tênis, por exemplo. Imaginem uma resenha onde o Fabião solta lá pelo meio: “Puta que pariu, mas que tênis foda esse”.
Seria absoluto em Morróida e relativo para o anunciante.
E o Fabião, se colocasse lá “Aviso – Resenha patrocinada“, quem ficaria descaracterizado? O Fabião ou o anunciante?
O anunciante, é claro. Pois garanto que os leitores do blogue ficariam irados com eles, por terem “forçado a barra” com seu ídolo.
O caráter pessoal do blogue é sua maior referência. O que o blogueiro é, é o que identifica sua audiência. O que ele publica ou escreve, é apenas seu reflexo para o mundo exterior.
Se é então, uma referência de credibilidade no blogueiro o conteúdo de seu blog, por que então as tais tarjas “Resenha patrocinada“?
Não vi, mas como tudo no meio, deve ser uma fórmula importada. O tal negócio: o que é bom para os USA é bom para o Brasil. (2)
No auge dos jornais, quando um anúncio pago era publicado, ele vinha circundado por uma tarja preta e até um “reclame” disso: Informe publicitário. Mais usual quando era um testemunho comercial ou então, algo que envolvia tema político. O jornal expressava assim, que aquela não era opinião do veículo.
A tarja preta foi abandonada com o tempo e ficando apenas um discreto “Publicidade” em fonte bem fininha, miudinha, num dos cantos.
De hoje, no blogues, além de constar o “Aviso – Resenha patrocinada“, o autor se vê compelido a dar algumas estocadas no produto, para imprimir alguma isenção.
Como fazer, se uma hora dessa surge o anunciante para um produto “nada a ver”? Margarina, por exemplo. O blogueiro não poderá então, “pegar a conta”?
Atenção – Resenha patrocinada
Ontem estive no supermercado e por conta de (coisas, coisas, coisas…) comprei a margarina Mister X. Realmente, muito boa.
O que eu acho que eles poderiam melhorar…
Não daria certo.
Outros lados da coisa? Existem sim, mas essa postagem já está ameaçando ficar longa demais.
(1) – Papagaio é uma classificação desclassificada de tudo que tem na internet que não seja julgado como relevante por uns caras ai.
(2) – A absorção de hábitos estrangeiros ao pé da letra nem sempre representa uma realidade vigente. Nos USA centenas de blogues fazem sucesso e milhares de anunciantes existem. Não é possível para o blogueiro nem às agências de publicidade descer às minúcias. Contrata-se o serviço por indicação exposta on-line, deposita o dinheiro na conta do blogueiro e sai da frente que atrás vem gente.
setembro 6th, 2007 at 9:32
setembro 6th, 2007 at 12:04
Intelectual de mesa redonda é um saco. Uns exibicionistas.
setembro 6th, 2007 at 12:06
Não faz meu estilo, prefiro manter a “ingenuidade” do site me afastando deste tipo de coisa!
setembro 6th, 2007 at 12:40
Mas que seria legal um estilo super blogueiro como o seu fazer publicitários rever alguns conceitos, ah, seria sim…
A ingenuidade é o o que há.
Exemplo? Os “Mamonas Assassinas”, o sucesso que fez entre as crianças.