Moisés e as tábuasBlogar e coçar, é só começar.

O mais difícil, é retirar um blog pessoal da inércia. Depois que engrena, dificilmente o blogueiro consegue desassociar sua vida e até seu estado psicológico de seu blogue.

São várias as motivações. A principal delas, é que tal indivíduo gosta de escrever suas percepções, gosta de partilhar, gosta de fazer parte de um meio onde seus escritos serão lidos e de alguma forma, as pessoas a eles reagirão.

Mesmo que seja apenas um gelada estatística mostrando que “mais um” acessou aquela página.

Bagagem cultural, formação ideológica, experiência pessoal e grau de assimilação das informações do cotidiano é que moldarão de suas postagens. O próprio meio é pródigo em produzir discussões intestinas e só com isso, com blogues falando de blogues, é possível produzir infinitas postagens.

E do próprio blogue, é claro. Vale até, postagens vazias de conteúdo se não penso nos leitores.

Epa! Eu disse “penso nos leitores“, assim, com todas as palavras?

Então, algo esta mudando com relação ao meu blogue. Se estou pensando nos leitores, logo meu blogue existe. Depois dessa consciência cartesiana, adeus à minha adolescência bloguística.

O ego passa a avaliar karmas.

É onde entra a pergunta para a resposta no título: “O blogue é meu?” Ou, numa perpectiva mais atenuada, “Até onde o blogue é meu?”

Se o blogue é meu, eu posso publicar coisas que façam dele um lixo, se assim eu quiser.

Posso, por exemplo, zoar com pessoas em dificuldades para escrever depoimentos para amigos do Orkut. Talvez eu tenha divertido algumas pessoas com essa postagem puramente cata-para-quedistas, mas magoado (e vir ainda a magoar) muitas outras.

“Ei, ei, ei. Calma!” diz a consciência. E ela justifica: “Viu como melhorou os cliques no Adsense depois dessa postagem?”

É… isso é verdade. Bom… bem… então… é né…

Crise de identidade! Encruzilhada bruta!

Qual a próximo passo então? Um blogue intelectualizado e um outro para fotos da Sandy pelada? (1)

Quando os rendimentos de publicidade no blogue começam a tomar relevância no orçamento do blogueiro, ele tem essa opção conciliadora.

Ter leitores ou clicadores? Para manter leitores é necessário renovar-se a cada dia, ser original a cada postagem. Para clicadores, basta um fotos da Sandy pelada a cada dois dias.

Blogue, é fardo saint-exupéryano (”Tu te tornas responsável por tudo que cativas”).

 

Que fique bem claro que não conheço nenhum blogueiro que se enquadre nesses extremos. Isso é um ensaio de possibilidades e não de uma situação real por mim conhecida, embora deva existir.

E, com um dos lemas do 1001 Gatos de Schrödinger, “A mídia tradicional envia mensagens. Blogs iniciam conversações.”, deixe seu “eu acho” nos comentários.

(1) - Fotos da Sandy pelada é ícone de hypes, notícias elevadas por moto contínuo à relevância muito além de sua importância.

Créditos da imagem: Café prá dois

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