Não elogiamos. Assim, se mata melhor.
Postado por Sergio em 17 Jan 2008 em 01:33 am | Em: Topetem
Se você, caro leitor (a), for alguém criativo e antenado nas coisas do mundo moderno, na publicidade, deve pensar como eu quando vê algo genial feito da simplicidade, do óbvio: “Puta merda… queria ter sido eu a pensar isso!”.
Foi o que comigo aconteceu depois de visto um dos comerciais da campanha da Sundown, com um executivo da empresa negociando com São Pedro, o patrocínio do Sol.
A nova campanha do Sundown - criada pela DM9DDB - conta com a participação do ator Marco Nanini. O ator interpreta São Pedro, que “fecha” com a Sundown e vai à praia avaliar o resultado da negociação, onde observa, satisfeito, as pessoas aproveitando a vida ao ar livre.
Pensei logo em escrever algo elogiando, mas blé, a internet toda e mais ainda, a Efigênia, já deve ter reportado isso de toda forma, visto que são muitos os blogues que reportam coisas da publicidade.
E, impossível é que eles tenham deixado passar “batido” algo tão genial. O Sol está aí, é de todos. Sol, é energia limpa, permanente e de extração gratuita. E isso é algo tão entranhado no consciente coletivo que ele, o Sol, se presta como meio para qualquer mensagem.
Dei uma busca no Google, e sem filtrar a busca, ele retornou com 163 resultados para sundown protetor solar patrocinar o Sol. Filtrando isso, reduziríamos para menos da metade os links que levassem para matérias remetendo ao assunto.
E alguma em blogues? Não! Apenas releases em sitios de publicidade e portais.
O diabo é que nossos olhos estão voltados unicamente para o que de belo se faz, no exterior. Seria a síndrome do vira-latas rodriguiano (01) vitaminada pelo medo das reações contraria aos elogios (jaba, não póóódi) ?
Concordo que a postura crítica seja inerente a blogueiros, exatamente por serem blogueiros. São gente que têm o que dizer e blogues mostraram-se ferramentas eficazes para isso, sem as restrições impostas pelos outros meios.
A crítica, como endemia formalizada, não está presente apenas em blogues, viceja pela sociedade.
Como explicar então, a morte por espancamento do garoto Dênis Henrique dos Santos, de 13 anos, durante o desfile de um bloco carnavalesco no bairro do Cordeiro, em Recife, por policiais e aspirantes?
Segundo dizem, o grupo de aspirantes (estudantes de um curso de formação da Polícia Militar) ali estava trabalhando na segurança do evento.
Só encontro como explicação para a atitude bestial daqueles homens, na crítica como endemia. Imagino suas aulas de instrução nos quartéis e escolas, quando pautam sobre segurança em eventos.
Quem ministra tal aula deve passar ao largo de noções de civilidade. Estamos perdendo-a. Não devem ministrar, sobre aglomerações públicas, conceitos de polícia comunitária, do diálogo, do arbítrio, do convencimento à não violência.
Os ministros de tais cursos, creio eu, acreditam que o preparo do policial deva ser para o uso da força bruta, pois que os comandantes das ações não terão olhos para todos, não terá como graduar a força no decorrer da situação.
Melhor então, que os meninos saiam da escola sabendo que o negócio é na base da porrada.
Povo, seria algo para estar a entre polícia e o meliante. Ao que parece, isso foi deletado das aulas de instrução. Agora, é apenas polícia e meliante.
Então, lembre-se: nesse carnaval, você estará meliante. Cuide-se.
Ah, sim… lembre-se também, da camisinha.
(01) - Síndrome do vira-latas. Sentimento de inferioridade. Frase cunhada pelo dramaturgo Nelson Rodrigues, por ocasião de uma sua referência ao futebol brasileiro, que “amarelava” ante o europeu. Isso, antes da copa de 1958, vencida pelo Brasil, na Suécia.
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