Ingenuidade e inocência
- Você é ingênuo, disse-me minha irmã mais nova, a caçula.
Foi quando quedei-me a pensar sobre essa grande verdade que desconhecia. Analisando, vejo que sempre a confundi com inocência. E inocente, sei que não sou.
Por força do oficio (ou o que dá força ao ofício), escritores conseguem naturalmente desvendar a personalidade alheia mesmo sem nunca ter conhecido um escrito de Freud ou seus subseqüentes. Senão, como conseguiria construir suas personagens?
Vejamos:
A ingenuidade deve ser derivada de valores mal resolvidos durante a infância e que deixam seqüelas pela vida toda. E qualquer valor mal resolvido na infância gera carências na idade adulta. Isso, muitos sabem.
Ter consciência disso, é com cada qual. Sei de mim, sei que não conheci avós (meus pais já não tinham os seus vivos), padrinho ou madrinha (meu pai foi um “cigano” pelo Centro-Oeste Paulista) e não tive aquele tio boa praça. Minha mãe era uma cabocla simplória e perdi irmãos muito cedo.
Pronto! Desvendado as origens, veio o diagnóstico a mim dado pelo conhecimento: “Sérgio, você é fruto de ausências e perdas”.
Bem, os seguintes arrazoamentos poderiam desvirtuar a idéia central do artigo, a sua proposta original. Apenas concluo que isso só deixa de fazer diferença do quotidiano de cada um, a partir do momento de sua consciência e aceitação. (1)
Inocência, é a credulidade. Ingenuidade, é o envolvimento por ela. Você pode estar inocente – não participativo – em muitos lugares e coisas mas não será ingênuo se tiver percepção do que acontece ao seu redor.
O mundo, é dividido em mundos psicológicos, em universos paralelos. Conheco o mundo dos empresários, dos políticos, das putas e dos alcoólatras. São micro-universos nos quais em nenhum deles eu estaria inocente, sei como pensam. Para cada um desses distintos mundos, um mesmo valor absoluto é focado com valores relativos, absolutos ao meio.
Dois exemplos que me ocorrem agora:
Uma foto de um empresário com uma puta é para ele, motivo de vanglória. Para ela, um potencial instrumento de suborno.
Uma ação social para o empresário é marketing da moda e dedução de imposto de renda para sua empresa. Para o político, (2) é oportunidade para super-faturamento e sobrevivência de sua carreira.
Continuando então, percebo que sou ingênuo o bastante ao ponto de cometer equívocos com valores que seriam universais. O ingênuo, pensa apenas absoluto: Somos amigos? Então, é aquela amizade suprema, o amor sem sexo.
O filósofo e pensador espanhol Calderón de Mejia, diz em seu “Coisas tríplices” que “o homem busca por três sons: o alarido das palmas (fama), o tilintar das moedas (fortuna) e os gemidos de uma mulher (prazer). (3)
Concordo. E talvez essa rigidez de conduta dada a natureza humana é que forme nos valores em universos paralelos, sua relatividade sobre o absoluto.
(1) – Não confunda conformismo com aceitação. Conformar-se, é ficar com as dores da perda, o que gera rancores e ressentimentos. Aceitação, é aceitar as coisas como são, aceitar as coisas que não podem ser modificadas. Aceitação, é um estado de serenidade com o todo.
(2) – Nada mais triste que a consagração de político como sinônimo de corrupção. Mas aceito.
Contam que numa entrevista concedida em “off”, o repórter perguntou a certo político quanto gastava em campanhas eleitorais. Ele respondeu: “Nada! Compro pronto!”. Ou seja, eleito, é que rolam as verbas para a campanha.
(3) – Obvio que se Calderon de Mejia fosse de hoje e blogueiro, faria um update da postagem. O seu “mulher” que emulei por “prazer”, foi para incluir nisso amor, sexo e desejos mil acessíveis hoje, a ambos os sexos. Até o iPhone
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novembro 6th, 2007 at 11:22
Preciso de uma ajuda sua. ^^
Se puder me adicionar ao messenger…
rafael [arroba] trofeujoinha [ponto] com
Abraço!
dezembro 3rd, 2007 at 15:16
dezembro 16th, 2008 at 21:13
Ingenuidade é doença, parece que vc surta e perde a razão na frente do pilantra,cai na conversa do diabo cor-de-rosa.Deus ajude os ingênuos ,e porque não dizer: as burras!!!
janeiro 25th, 2009 at 18:28
Nancy e outros…li outro dia o texto que está no link abaixo:
http://www.via6.com/topico.php?tid=149080
Pertende a Osho:
A diferença entre confiar e ser ingênuo é vasta,
mesmo assim a linha divisória é muito sutil.
Ser ingênuo significa ser ignorante.
Confiar é o ato mais inteligente da existência.
E os sintomas a serem lembrados são:
ambos serão enganados,
ambos serão trapaceados,
mas a pessoa que é ingênua
se sentirá enganada, trapaceada,
ficará com raiva,
começará a não confiar nas pessoas.
Sua ingenuidade, mais cedo ou mais tarde,
se torna desconfiança.
E a pessoa que confia também será
enganada, trapaceada,
mas não vai se sentir lesada.
Ela simplesmente sentirá compaixão
por aqueles que a enganaram,
que a trapacearam,
e sua confiança não será perdida.
Sua confiança jamais
se transformará em desconfiança
para com a humanidade.
Esses são os sintomas.
No princípio, ambos parecem iguais.
Mas, no final, a qualidade da ingenuidade
se transforma em desconfiança,
e a qualidade da confiança
continua a se tornar mais confiança,
mais compaixão,
mais compreensão das fraquezas humanas,
da fragilidade humana.
A confiança é tão valiosa
que a pessoa está disposta a perder tudo,
menos a confiança.
cassia respondeu em abril 15th, 2009 11:27:
novembro 20th, 2009 at 6:51
Agradeço muitíssimo.
Um abraço.