O primeiro encontro de blogueiros que tomei ciência, foi o 1º Encontro de Blogueiros, Leitores e Simpatizantes (BLS, pegando carona numa outra sigla, famosa) e depois, um outro que vi noticiado por ai foi o Blogcamp com organização digna das mais exigentes arquiteturas de eventos. Dele, encontrei muito do que foi discutido, nessa página.

Não pretendo o acesso às fontes de conhecimento dessa rapaziada que leva a tecnologia de comunicação e mídia de internet como profissão para um aprofundamento de tese. Tecnologia em internet não é minha “praia”.

Eles se esfalfam em blogs traduzindo para o Brasil o que acontece no mundo, implantam sistemas e tecnologias de redes sociais e pretendem à justa paga, poder viver desse trabalho.

Até há pouco, o que se sabia e via eram isoladas iniciativas de sucesso e muitas tentativas e fracassos. A meu ver, num único momento dois fatos ironicamente opostos marcam o fim dessa era: a campanha do jornal Estadão contra os blogs e a entrada em pauta de eventos coletivos de blogueiros, discutindo a ainda incipiente internet no Brasil.

Incipiente, é a internet. Já as discussões, estão atingindo graus elucidativos de uma nascente corporação. E corporação sem ações, sem comando centralizado nem delimitação de área ou jurisdição.

O saber conquistado até agora por essa rapaziada é fruto de experimentos vivenciados por cada um, longe de bancas com mestres. Cada movimento de um teclado, mouse e hábitos dos usuários da internet estão hoje mapeados e revertidos em aprimoramento de serviços na internet brasileira. A conversão disso é o aumento de audiência aos mais capazes.

O meio como captador de verbas publicitárias é um do objetivos. E essa inevitável futura concorrência tem incomodado os tradicionais veículos de informação por leitura.

Como preâmbulo, me basta essa apresentação disso que presencio. Já como projeção do que podemos esperar, talvez seja aguardar quando o mundo dos blogs deixará um pouco seu foco intestino e atente mais o mundo exterior, para além do monitor.

Estamos num país de 180 milhões onde, efetivamente, menos de um décimo pode ser chamado de usuários da internet. Vejo como pouco ainda, para algum boom infra-fronteiras de alguma inovação tupiniquim. Mesmo daquelas que não consigam quebrar os parâmetros de rede social.

Exemplos? O Orkut. Ele trouxe para dentro da rede muita gente que nem tem computador em casa, no trabalho ou escola. Fora esse, lembro da BOL, mas que gastou uma boa grana com comerciais na televisão para fazer usuários entre domésticas e faxineiros, lembram? Cada qual para sua época (com sorte na empreitada ou com investimento pesado) tinha o público para falar a que veio.

Blogs, saem da internet e vão para a “boca do povo” mais facilmente quando são de humor. Outros, ficam restritos a nichos ou sobrevivem de conjunções. Se “falam-se” mais que necessidade imperiosa que o modelo propõe, abusam e repetem-se em fórmulas de auto-promoção, isso deriva de uma identidade em formação não só dos blogs, mas de toda uma nação que adora saber minúcias de quem a cativa.

Depois da ida do treinador Felipe Scolari para a seleção portuguesa, pela evidência, fiquei sabendo que Portugal conta com vários jornais esportivos (A Bola, O Jogo, Record…). E os leitor não assina ou adquiri apenas aquele seu preferido para acompanhar seu clube, mas vários deles!

Por aqui, o único segmento formador de opinião no formato blog com “concorrência” entre autores é sobre política nacional. E é salutar acompanhar mais que um. Sobre outros assuntos, não existe opção. Existe uma seleção natural por afinidade do leitor com o blogueiro, raramente se observando uma discussão temática produtiva via comentários dos leitores.

São muitas as diferenças culturais entre o Brasil e os USA, matriz de tudo. Não é possível imaginar que determinadas fórmulas de uso que são corriqueiras por lá, o sejam um dia por aqui. Nem num futuro próximo (espero) pois isso significaria um irreversível colonialismo cultural.

Eu penso que esses encontros é ponta do iceberg. Quando essa rapaziada terminar com a troca de informações diagnósticas, ficará aberto uma larga avenida para criações e (quem sabe?) teremos no Brasil uma multinacional de internet originada desse segmento.

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