Código do blogueiro
Encontrei esse código para a arte de blogar no bitaites, blog do Marco. Minha paixão pelas formas com que é usado nosso idioma para dizer as mesmas coisas, suscitou uma transposição para o modo brasileiro de descrever o que pensa .
Ele contém onze itens distintos, sendo o último, uma quase provocação ao leitor blogueiro, incitando-o a navegar por “mares nunca antes navegados”. Ou, hodiernamente, aventurar-se ao conhecimento disponível pela vasta rede de informações – a internet – e a sua vida pessoal, de forma que se produza ao final, um cérebro embotado de idéias para tornarem-se escrita.
Veja elas. Em itálico, a minha pretensiosa versão.
01 – Se tens medo de escrever um post, então provavelmente vale a pena escrevê-lo.
O conteúdo de um blog é o que você sabe e pensa. Procrastinar é ruim e recuar da idéia em escrever o que pensa é pior.
2 – Se só estás preocupado em agradar a quem te visita, o blogue deixa de ser teu. Se não és perfeito, porque razão o teu blogue há-de ser?
Sua identidade é única e seu blog tem que refletir isso, agradando a uns e desagradando a outros. Lembre-se de Nelson Rodrigues: “Toda unanimidade é burra”.
3 – Fala mais dos outros e menos de ti. É assim que um blogue se torna mais pessoal: mostrando a tua visão da vida, não as mil e uma formas de olhar para o teu umbigo.
Seu blog é um diário, se assim você o desejar. Mas seu dia a dia é assim tão emocionante para prender leitores (se os deseja)? Observe as coisas que acontecem como notícias e tenha sua opinião, seu posicionamento.
E, se não tiver assunto ou tempo para escrever, não escreva dizendo que não teve assunto ou tempo para escrever.
Adenda para os pseudo-intelectuais da blogosfera: um post contendo uma citação em francês com quase 50 metros de altura não mostra ao mundo a tua cultura, mas poderá expor a tua vaidade. Deverás prestar um serviço ao teu confuso visitante, mostrando o original, se quiseres, mas fazendo a tradução para português: aí estarás a mostrar que és, de facto, pessoa culta e bem formada. Se isto entra em conflito com o exposto no ponto 2, então fica na tua que eu fico na minha: não voltarei a por os pés no teu blogue.
Escrever difícil e/ou fazer longas citações de outros autores (e pior, sem tradução se estrangeiro e sem complementar com um raciocínio próprio) é para aqueles que imaginam estar levando o leitor a pensar: “Nossa, como ele é inteligente…”
O leitor que buscou entretenimento ou informação em seu blog sairá dali rapidinho. E, para as salsinhas (1) então, aquilo é escrita cuneiforme.
Blogues colectivos: é fundamental que exista alguém responsável pela edição e publicação dos posts de todos os autores, incluindo o próprio. Sem um líder, isto é, um blogger que pense a organização do blogue e faça a gestão dos posts dos autores, este tornar-se-á uma manta de retalhos, desiquilibrada e caótica.
No Brasil, o mais conhecido é portal e caso de sucesso. Entenda que um blog coletivo pode ser para todos mas não para qualquer um. Saiba primeiro, escolher os participantes, discutir as regras antes de iniciar. Deixar isso para depois, é procurar desavenças.
A zona dos comentários não é tua, é dos teus visitantes. Não imponhas demasiadas regras, deixa as pessoas à vontade.
“Eu estou aqui a sentir-me tão à vontade que já me despi e vou agora começar a tocar-me. Pedro Oliveira”
P.S. – E se não consegues vencer um engraçadinho, junta-te a ele
O humor inteligente, a fina ironia e a sagacidade devem ser ressaltadas, por mais irritante que pareça, por mais zombeteira que seja com teu íntimo. Entenda que ela foi tão provocadora para você como seu texto foi para o autor do comentário.
Se te sentires ofendido com um comentário, não o apagues nem te faças de vítima: denuncia-o, colocando-o em destaque na página principal. Não é preciso, sequer, fazer juízos de valor: um troll fala por si e mostra mais do que suspeita. Não receies a estupidez e a má-educação: são instrumentos que podes usar para marcar uma posição mais saudável. Por outro lado, um comentário pertinente que defende uma opinião contrária à tua não te põe em causa, enriquece o teu blogue. Junta-o ao teu post e promove o confronto de ideias.
Mil idéias de coisas na cabeça por fazer para perder tempo com trolls? Ou obrigando-se a buscar informações para argumentos e debater uma postagem antiga?
Lembre-se que você só sabe do comportamento troll por presencia-los agora. E seu tempo de troll, já não é mais um quadro na parede da memória? (2)
O link é um louvor, não uma troca de banners. O link é uma vénia da blogosfera àqueles que admiramos e apreciamos.
Quando listar um blog em sua Lista de Links, não precisa ir “avisar” o dono do blog linkado disso. Faça-o porque gostou e acredita que seus leitores apreciarão a indicação. E postagens que tenham informações complementares a uma postagem sua, link para seus leitores, esteja ela onde estiver.
O blogue não é um canal do mIRC ou uma janela do Messenger. Se és lusófono, escreve em língua portuguesa.
Deixe o miguxês para os miguxos do Orkut e do MSN. E cuide de usar traduzido termos originários em inglês que contem com perfeita tradução de nosso idioma. Exemplo? Deixe um comentário nessa postagem. Não um “coment no post”.
Antes de comentar, leia a postagem e passe uma vista nos comentários para filtrar informações complementares neles contidos. Escreva seu comentário com calma (o blog não irá a lugar algum…) e faça uma breve revisão antes de clicar no “Enviar comentário”.
O blogue é o teu portal para a Internet. Um portal que partilhas com todos os teus visitantes. Se te sentes desinspirado ou não te apetece escrever mais uma obra-prima, partilha as tuas descobertas.
Hoje, uma velha calça de moleton dobrada em quatro tornou minha cadeira de trabalho mais confortável. Acho que adiei por um bom tempo a compra de uma cadeira nova, visto que a almofada original estava desgastada demais, deverás desconfortável. Por agora, está perfeito. Para um alto verão, não sei.
Se tens um blogue de informática, cuidado quando falas de coisas mais políticas: alguns leitores poderão não gostar e achar despropositado. Neste caso, desiste de tentar entender o fenómeno, encolhe os ombros e guia-te pelo ponto 2.
Existe um ditado que diz: “Sapateiro, não vá além de tuas chinelas”, perfeitamente válido para um blog, em vários aspectos. Ou, “Não misture alhos com bugalhos”. Se escreve num blog sobre um assunto específico de sua especialidade, providencie um outro para os demais assuntos. Mas cuide de ambos igualmente, como filhos.
Desliga o computador e larga o blogue. As relações não se fortalecem apenas com dedicação, também se fortalecem com saudades.
Suas melhores postagens estão fora da tela de seu editor de texto do Painel de Controle do blog. Elas estão em outras coisas que você faz na vida, em portais de notícias, no filme que você ainda não viu, no livro que ainda não leu, na conversa de bar, na mesa de bilhar, no estádio de futebol, com o seu cão no quintal, com o “bom dia” ao vizinho, ao carteiro, ao padeiro…
Ainda estás aqui? Toca mas é a pensar nos pontos 12, 13 e seguintes. Um blogger não deve aceitar que a papinha está toda feita.
Achou genial e definitivo isso tudo? Errado. Isso tudo é apenas mais uma criação entre muitas outras que estão por ai, pela internet, esperando serem descobertas. Chispa daqui e vá descobri-las, enriqueça essa lista. (3)
(1) “Salsinha” é invenção do Cardoso. Para os nada aptos, sempre se disse “ameba”. Salsinha representa uma natureza ainda inferior a isso em faculdades mentais.
(2) “Quadro na parede da memória” é trecho de canção, uma criação poética das mais incríveis da MPB. É de Belchior.
(3) Volte depois e conte algo de novo nos comentários.
agosto 21st, 2007 at 9:09
agosto 22nd, 2007 at 0:19
agosto 22nd, 2007 at 0:24
Se captei… Sabe, até fiz meu cadastro no Rec6, mas não foi possível completar. A área onde para fazer download do plugin não estava on, dava erro.
Depois, andei lendo por ai que essas redes de links é bom só para os grandes. Os de pequenos só servem para “abastecer” o sistema. Dizem até, que com prejuizo pois competem com o seu link nas buscas.
Chegar ao seu link por uma busca lá, primeiro você topa com um canhão de Ads do sistema.
Foi mais ou menos o que captei pelas leituras…
agosto 22nd, 2007 at 9:02
Abraços.
agosto 22nd, 2007 at 10:44
Muito bom mesmo.
Grande abraço!
agosto 22nd, 2007 at 11:58
O original do Marco, é fantástico. Quando puder, passe por lá para curtir um pouco do modo de usar as palavras num conto e numa “disputa” entre o Windows x Linux.
Humor lusitano de primeira!
agosto 22nd, 2007 at 12:05
Não sei até onde irá essa minha aventura com blog. Mas você leva o “caneco” de Meu Primeiro Leitor. E assim criativo, me ajuda a pensar em dar continuidade.
Abraços,meu amigo!
agosto 22nd, 2007 at 12:16
Sérgio, agradeço pelo “caneco” hehe, e prometo não desapontar.
Quanto ao artigo (agora sim
)…
Concordo com boa parte do que tá escrito, acho também que você deve escrever quando tiver vontade, e não sentir-se obrigado a postar religiosamente todo dia. E acho que para estabelecer uma boa relação com outros amigos blogueiros, não é necessário que se opine em TODO post, até porque às vezes não temos palavras suficientes, ou conhecimento do assunto em questão.
Mas opinar sempre que POSSÍVEL e sempre que tiver algo que acrescente valor ao post é sempre bom.
Quem sabe assim tiramos a idéia equivocada de algumas pessoas de que os blogs não podem ser formadores de opinião?
Abraços Sérgio.
agosto 23rd, 2007 at 15:34