Blogueiro, identifique-se!
Postado por Sergio em 01 Set 2007 em 06:05 pm | Em: Topetem
O “Patinho feio” mostra bem que o seja identificação e comunicação. O herói da estória - que não é um pato, mas um cisne - é rejeitado pela ninhada pela falta de identificação.
E sem identificação fica difícil a comunicação, como bem sabe qualquer estudante de Comunicação e/ou Propaganda e Publicidade. Em publicidade, um produto precisa identificar-se com uma carência do consumidor para poder comunicar-se com ela.
Porque não conseguiram os colonizadores escravizar os índios brasileiros? Exatamente porque não foi interrompida sua identificação e comunicação.
Fossem os cativos expatriados (aqueles apresados em São Paulo/Minas Gerais fossem levados para o Rio Grande do Sul e vice-versa) certamente que conseguiriam escraviza-los. É impossível fazer cativo um povo em suas próprias terras onde conhecem a língua, as locações, os sons, etc…
Por isso que o regime de escravidão nas Américas funcionou com os africanos. Nas Américas, longe de sua terra natal, de suas origens, puderam os senhores de engenho e das plantation impor uma conduta disciplinar e cultural aos africanos.
O próprio homem ocidental passou por várias mutações de identidade em relação ao cosmo. (1) Na Renascença, na Revolução Industrial e nos Anos Sessenta podemos observar essas transformações.
Estamos agora na Era Digital, precursora de uma ainda nublada identificação.
Dizem que a mídia tradicional não irá se acabar na mesma intensidade com que dizem que o petróleo irá se acabar.
O petróleo, pode não se acabar, se deixarmos de usá-lo com a constância de hoje, se for substituído por outras fontes de energia. E que não venham a competir com a produção de alimentos.
Quanto a mídia tradicional, é dela a força para criar baronatos na mídia virtual. Ninguém que se diga informado pode imaginar que grandes corporações pensem no curto prazo, que não existam ensaios preliminares programados (ou fortuitos que a essa missão sirvam depois) na mesma velocidade das mutações.
Dado a fatores como Educação e Cultura serem relegados a planos inferiores no Brasil, o acesso e uso de internet como meio para consumo de informação e serviços é ainda, apenas exponencial. Uma a mais, para ser catalogada no “país do futuro” que nunca chega.
Quando os primeiros blogs foram identificados com uma massa que nunca nem escreveram diários de papel, foi a porta de entrada para o sistema de milhões de pessoas. A partir disso, os blogs e derivados que se rentabilizaram ou já factíveis, podem ser chamados de empreendimentos de mídia sobres plataformas comuns aos blogueiros.
Alías, a plataforma em si evoluiu para isso, para tornar-se aptas para negócios. Imagine um blog sem espaço para comentários (iriam pelo e-mail), nem Adsense e menos ainda, agregadores de links e inúmeros plugins para propagação?
Poderia vir a ser bem escrito e interessante, mas ficaria nisso. Um autor assim bem lido pode ser cooptado pela mídia tradicional. O jornalista Ricardo Noblat foi um caso e devem existir outros.
Um dia, nenhuma árvore será mais derrubada para fazer jornal. Se não por um coletiva consciência ecológica, será por não existirem mais árvores, não existir espaço para reflorestamento. Gente come carne, não come pau.
E não acredito no surgimento de um “Assis Chateaubriand” ou “Roberto Marinho” a partir da internet. Não vislumbro a conclusão de um identidade digital em tempo com poder de desbancar a mídia tradicional. (2)
Vejo como mais próximo da realidade digital brasileira, a cooptação de profissionais já “ranqueados” na rede, quer sejam eles articulistas ou experts em programação. Que “fodão” recusaria um salário e benefícios de editor de uma grande corporação?
Claro que os fundamentos de liberdade na internet continuarão. Mas como já tomam formas conceitos como “interesse do público”, “espaço público” e “interesse público” (3), nas discussões sobre internet, melhor é aos empreendedores na rede aguçar olhos e ouvidos para as entrelinhas dos acontecimentos.
(1) Um artigo que tenho apenas o rascunho ainda. Nele, desenvolvo minha explicação sobre o sucesso editorial de Paulo Coelho. Quer ler em primeira mão?
(2) O modelo privilegia a antropofagia e seu culto tende ao niilismo. No vislumbre de um idéia genial, é vista apenas como oportunista e/ou sem sentido. Não seria mais lógico ter uma mente aberta e se mirar em empreendimentos coletivos? Como a Wikipédia, por exemplo. Aqui, quando pensam nisso, é só na sacanagem.
(3) Espaço público, Interesse público e Interesse do público são conceitos distintos e com características peculiares na internet. Vale o convite Quer ler em primeira mão? porque ainda vou escrever sobre.
As mais recentes:
Eu sentia que estava faltando algo…
Malditos fazedores de anjos
O beijo (que não saiu) de R$ 39 milhões. Nós pagamos.
O beijo de Cebolinha e Mônica é sebastianismo
Às vezes parece que fico procurando pêlo em ovo, mas - como dizem - quem procura, acha…
Já assinei o seu feed.
abraço
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Obrigado pela companhia.
E Monetizar… pusta…
Existe cultura para chegar até Manetizar? Será que extrapola?
Abraços!
Sérgio
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