Estou em Sampa, em casa do amigo Geraldo Lustre, mas apenas de passagem. Parto amanhã mesmo para Santa Catarina, para junto da Suyan revisar um livro.

De Barra Bonita até a capital paulista são bem umas quatro horas de ônibus, pela rodovia Castelo Branco. Rodovia boa, ônibus bom, um tempo de chuva e o mais insosso filme de pré-adolescentes americanos no vídeo ajuda o sono e a rapidez da chegada.

E o trânsito da cidade de São Paulo, cada dia pior. Não há rodizio que ajude a minorar o problema do pobre paulistano que esta fadado a conviver com isso.

Metrô? Ora, aquilo esta em vias de entrangulamento também. Quando Paulo Maluf construiu o terminal de Tietê, era faraônico para a época. Agora, um formigueiro humano já seguido por outras estações, como a Barra Funda, que serve ao interior paulista.

Nas plataformas de embarque, tiveram que construir cancelas como aquelas que guiam bois em currais, para vacinação ou embarque em caminhões. E nada difere, se querem saber, aquele povo de bois. Massa é mesmo gado.

Tais cancelas afunilam-se nos pontos demarcados onde irão se situar as portas de acesso ao trem. E ai daquele que não estiver espremido entre a multidão que se forma sob o risco de ficar, literalmente, a ver trens, sem conseguir embarcar.

Cada trem consome metade da multidão e à metade restante junta-se outra que desce pelas escadas rolantes. Alías, escadas rolantes que faz rir pelos avisos em adesivos colados por sua extenção.

Adesivos retangulares, tamanho de um terço de um teclado de computador, para melhor avaliar. Amarelos e escrito em miúdas letras pretas, colados a cada meio metro de uma escada de vinte metros.

Como esperam que se leia por ali coisas como: “Cuidado com os dedos”, “Segure no corrimão”, “Fique a direita, reserve a esquerda para trânsito” mas nesse, mantêm o corrimão emborrachado também a esquerda, quando deveriam fincar cacos de vidro para o animal perceber sua não devida utilização.

Voltando lá para a cancela de embarque, o bando que se aglomerava no funil não se movia ante a porta do trem aberta. Eu, logo atrás, não entendi, “Eh, porque não montam?” e abri caminho até espremer-me entre outra multidão, essa, já dentro do comboio.

Segurar-se onde, não tinha, mas nem precisava. Os corpos espremidos cuidavam do equilíbrio um do outro. E logo fiz amizade com um sujeito, para perguntar:

“Escuta, porque esse povo fica parado na cancela e não entra? Não vêm que atrapalham quem assim quer?”

“Qual, são folgados que só querem ir sentados. Se o trem tá lotado, não montam”, disse-me.

Que merda isso está ficando. E ainda leio hoje da boa notícia que o Brasil descobriu gigantescas jazidas de petróleo e num futuro próximo, chegará a exportar o produto. Eu, bem que torceria para que o petroleo se acabasse de vez para ver esses animais troteando São Paulo adentro sem metrô nem ônibus.

Mais mal humorado que eu com isso, nem o Noronha ficaria.

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