Formar leitores é formar uma naçãoUm exemplo clássico de absorção cultural foi verificado na China.

Gengis-Kan unificou as tribos mongóis, conquistou a China e criou uma descendência em seu governo.

Kublai Khan, imperador encontrado no trono pelo comerciante e navegador veneziano Marco Polo, era um de seus netos.

E Kublai Khan via-se já, como um completo chinês.

Embora fronteiriços, mongóis e chineses formavam culturas bem distintas. Diversos choques entre as culturas chinesas e mongol foi observado, mas em nenhum momento conta a história que os mongóis foram expulsos da China.

O que houve?

Lenta, gradual e progressivamente, os mongóis foram absorvidos pela milenar cultura chinesa. Os mongóis na China deixaram de ser mongóis e passaram a agir como chineses, a pensar como chineses, a serem chineses!

Não é interessante isso?

Um outro tipo de processo aconteceu nos primórdios de Roma. A Etrúria era um evoluído reino vizinho da ainda tribal e guerreira Roma. Os romanos dominaram os etruscos, absorveram sua cultura e os etruscos desapareceram.

Os romanos vestiam-se com peles e lãs grosseiras até então. As vestes, vasos, ornamentos e arquitetura romana como é conhecida para a época, foi assimilado dos etruscos. Os etruscos eram um povo já educado, digamos assim.

E um dos primeiros reis de Roma, Tarquínio, o Antigo, era de origem etrusca.

Legal!

Por aqui, um exemplo seriam nossos indígenas. Se não cuidados em suas áreas, sobraria como opção a periferia das grandes cidades e também, sua assimilação pela cultura do branco.

O indígena como conhecemos(?) hoje, deixaria de existir como povo e permaneceria tão somente, no DNA dos brasileiros.

E dai?

No momento atual, tecnologia de ponta é que diferencia nações dominantes de dominadas. Graças a uma maior distribuição no desenvolvimento de tecnologia pelo planeta, existirá uma equivalência, uma correlação equilibrada de forças.

Daqui mais duas ou três décadas, não existirá mais segredos do “xarope da Coca Cola” para uma relevante parcela de países. Brasil, incluso.

Teremos então, países detentores de tecnologia e dinheiro em uma ponta e na outra, os miseráveis dependentes de ajuda humanitária.

Como se darão as trocas então, se tenho tudo que preciso e sei de tudo que você tem?

Pela absorção cultural, oras. Fazer um outro povo agir, pensar e ser como você é que irá preponderar nas relações entre os povos.

Com o assassinato do presidente Kennedy, a França de De Gaulle imaginou poder partilhar da supremacia americana no mundo ocidental, não só pela força, como pela cultura.

André Malraux ocupante então, de vários cargos ligados a comunicação e a Cultura no governo francês por décadas seguidas, mostrava a preocupação francesa com a importância cultural como elemento de predomínio.

Clap, clap, clap! E daí, e eu com isso?

A história ensina tanto e o que vejo de medidas para afirmação cultural no Brasil, inexistem ou são incipientes.

E a raiz da fragilidade cultural de um povo tem origem nisso. Equacionado, deixaremos de passar por tanta vergonha nacional e só a partir daí é que os reais problemas poderão ser resolvidos.

Pode ser divertido escrachar com a ignorância mas isso é reflexo da impotência ante o fato. Outro dia ouvi o cantor Lobão comentar seus escrachos num programa do JÔ Soares, dizendo que seriam eles, uma forma de protesto.

Concordo.

Acho bom mesmo que concorde para não ver seus filhos/netos brincando de Halloween em fevereiro na avenida. Ou se preferir, não tenha filhos.

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