Absorção cultural
Postado por Sergio em 27 Set 2007 em 03:58 pm | Em: Topetem
Um exemplo clássico de absorção cultural foi verificado na China.
Gengis-Kan unificou as tribos mongóis, conquistou a China e criou uma descendência em seu governo.
Kublai Khan, imperador encontrado no trono pelo comerciante e navegador veneziano Marco Polo, era um de seus netos.
E Kublai Khan via-se já, como um completo chinês.
Embora fronteiriços, mongóis e chineses formavam culturas bem distintas. Diversos choques entre as culturas chinesas e mongol foi observado, mas em nenhum momento conta a história que os mongóis foram expulsos da China.
O que houve?
Lenta, gradual e progressivamente, os mongóis foram absorvidos pela milenar cultura chinesa. Os mongóis na China deixaram de ser mongóis e passaram a agir como chineses, a pensar como chineses, a serem chineses!
Não é interessante isso?
Um outro tipo de processo aconteceu nos primórdios de Roma. A Etrúria era um evoluído reino vizinho da ainda tribal e guerreira Roma. Os romanos dominaram os etruscos, absorveram sua cultura e os etruscos desapareceram.
Os romanos vestiam-se com peles e lãs grosseiras até então. As vestes, vasos, ornamentos e arquitetura romana como é conhecida para a época, foi assimilado dos etruscos. Os etruscos eram um povo já educado, digamos assim.
E um dos primeiros reis de Roma, Tarquínio, o Antigo, era de origem etrusca.
Legal!
Por aqui, um exemplo seriam nossos indígenas. Se não cuidados em suas áreas, sobraria como opção a periferia das grandes cidades e também, sua assimilação pela cultura do branco.
O indígena como conhecemos(?) hoje, deixaria de existir como povo e permaneceria tão somente, no DNA dos brasileiros.
E dai?
No momento atual, tecnologia de ponta é que diferencia nações dominantes de dominadas. Graças a uma maior distribuição no desenvolvimento de tecnologia pelo planeta, existirá uma equivalência, uma correlação equilibrada de forças.
Daqui mais duas ou três décadas, não existirá mais segredos do “xarope da Coca Cola” para uma relevante parcela de países. Brasil, incluso.
Teremos então, países detentores de tecnologia e dinheiro em uma ponta e na outra, os miseráveis dependentes de ajuda humanitária.
Como se darão as trocas então, se tenho tudo que preciso e sei de tudo que você tem?
Pela absorção cultural, oras. Fazer um outro povo agir, pensar e ser como você é que irá preponderar nas relações entre os povos.
Com o assassinato do presidente Kennedy, a França de De Gaulle imaginou poder partilhar da supremacia americana no mundo ocidental, não só pela força, como pela cultura.
André Malraux ocupante então, de vários cargos ligados a comunicação e a Cultura no governo francês por décadas seguidas, mostrava a preocupação francesa com a importância cultural como elemento de predomínio.
Clap, clap, clap! E daí, e eu com isso?
A história ensina tanto e o que vejo de medidas para afirmação cultural no Brasil, inexistem ou são incipientes.
E a raiz da fragilidade cultural de um povo tem origem nisso. Equacionado, deixaremos de passar por tanta vergonha nacional e só a partir daí é que os reais problemas poderão ser resolvidos.
Pode ser divertido escrachar com a ignorância mas isso é reflexo da impotência ante o fato. Outro dia ouvi o cantor Lobão comentar seus escrachos num programa do JÔ Soares, dizendo que seriam eles, uma forma de protesto.
Concordo.
Acho bom mesmo que concorde para não ver seus filhos/netos brincando de Halloween em fevereiro na avenida. Ou se preferir, não tenha filhos.
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Mas como o Max disse, não compreendi muita coisa, talvez pelo meu vocabulário pobre… :S
Mas a gente tenta melhorar né! =)
Abraços Sérgio.
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Sei que são teses que dificilmente dariam alguma discussão. Mas a idéia e apenas plantar sementes.
Num futuro, estou certo que irá se lembrar dessa postagem para complementar algo interessante que vier a escrever.
Abração, meu amigo!
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Sei que são teses que dificilmente dariam alguma discussão. Mas a idéia e apenas plantar sementes.
Num futuro, estou certo que irá se lembrar dessa postagem para complementar algo interessante que vier a escrever.
Abração, meu amigo!
Sérgio
(PS: A mesma resposta eu dei ao Max, pois coube a ambos)
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Sérgio, interessante suas colocações, a questão da assimilação cultural de fato não é nova como você mesmo exemplificou no caso chinês/mongól e vem a assistir ao debate atual entorno de uma suposta homogeneização cultural em decorrência da globalização.
Entretanto, ao meu ver, cabem algumas ressalvas que nos permitem esclarecer melhor os processos em acontecimento.
Se os romanos, que “vestiam-se com peles e lãs grosseiras até então” absorveram essas características dos etruscos, então como nós podemos dizer que eles desapareceram? Será que a dominância militar,territorial ou até mesmo o extermínio faz desaparecer um povo?
A assimilação cultural não é em primeiro lugar uma via de mão única, pois se romanos absorveram componentes da cultura material e/ou imaterial dos etruscos, de fato os romanos não são mais tão romanos quanto antes…
A idéia que eu quero colocar em discussão é a caracterização do que é ser mongól, ou etrusco ou romano. Ela repousa no pertencimento a um território específico? A manutenção da soberania militar? Ou a preservação da cultura de um povo. Porque DNA romano ou etrusco é no geral tudo igual, como você mesmo sugeriu, mas a cultura de um povo é o que o distingue dos outros povos, o que lhe confere identidade.
Entretanto, não podemos nos apegar a um repertório fixo do que seja a cultura de um povo. Em diversas sociedades, e especialmente na cultura característica do povo brasileiro em geral (se é que podemos falar assim), as influências culturais de outros povos constituem ocorrência corriqueira quando se observa seus movimentos em escala maior que a habitual, porque são sempre fontes de renovação e mudança na ressignificação que dão à suas práticas tradicionais a partir de novos contextos. Assim, suas práticas culturais se alteram sim, mas o fazem no bojo da própria cultura. Ao mesmo tempo que os contextos novos onde são praticadas (e por contexto pode-se entender novas vestes, territórios, corpos e etc.), são também ressignificados: romanos são ressignificados pelos etruscos quando esses ressignificam a si mesmos por meio dos romanos.
Feito esses meus comentários, gostaria ainda de acrescentar que falar em afirmação da cultura de um povo é por si só ineficiente quando cultura é o que é vivenciado consciente e incosnscientemente por um povo e em seus meio. Não acredito na afirmação cultural, pois ao meu ver ela recupera certa nostalgia que a contraria inerentemente ao negar seu devir, seu movimento fluído característico e inevitável porque viva.
Espero suas considerações e de quem quiser mais participar.
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