Queda de aviões e novela Beleza Pura
Postado por Sergio em 06 Mar 2008 em 12:58 pm | Em: Televisão
Lembram do Marco Aurélio “Top top” Garcia, aquele assessor do presidente Lula que primeiro comemorou imputabilidade de culpa ao governo, quando do acidente do avião da TAM em Congonhas?
Num único fato, dois pensares. O primeiro, e por jactante, vem os atributos da tragédia: morte, dor, perdas e destruição. São universais.
Em segundo, os funcionais. Assim como Marco Aurélio “Top top” Garcia pensou primeiro na popularidade do governo que vinha acossado por denúncias e pressões pela inoperância no setor, estejam certos que donos de seguradoras deixaram copos de uísque pela metade pensando primeiro, nas indenizações que teriam a desembolsar.
O coitado do Marco Aurélio “Top top” Garcia foi crucificado, sem assim, tanto merecer. O poder tem essa propriedade: fazer dos fracos de espírito servos e senhor de um sistema.
E “o sistema não está preocupado em resolver os problemas da sociedade, mas sim, em resolver os problemas do sistema”. Essa definição ficou bem conhecida depois de narrada em off pelo Capitão Nascimento no filme Tropa de Elite.
E as fronteiras do sistema não estão circunscritas ao que é de estado, ao que é de governo. Um sistema é todo grupamento de ações que culminam num único feito visível. É sua “ponta de iceberg”. Um sistema é circunscrito em si e tem fronteiras porosas com outros sistemas.
Uma telenovela, é uma “ponta de iceberg” de um complexo sistema. Um autor chega ao final da trama, intelectualmente em cacos pois para ele convergem todas as informações de interesse à manutenção do senhor desse sistema: a audiência. Não deve ser fácil isso.
Achei oportunismo a novela Beleza Pura, da Globo, desenrolar sua trama a partir de um acidente de aviação, com um helicóptero, um tema tão atual no Brasil. Atual e infelizmente, corriqueiro, dado não passarmos mais uma semana sem notícias da queda de aeronaves.
Claro, concordo que não se pode culpar a estrutura pública ou privada por todos os acidentes. Neles, existe muito de falha humana e, como tudo, obedece às devidas proporções: maior número de aeronaves habilitadas, maior a probabilidades de incidentes com elas.
Como a dona da pensão vê novelas, não me custou perguntar, pesquisando: “Nossa, todo capítulo falam desse helicóptero que caiu, né?”.
É. Um sistema que produz ficção alimentando-se do animus popolis para manutenção de sua audiência. Seria isso, um acaso?
Tétrico que sou, hem? Mas é que não confio um milímetro da unha de meu dedo mínimo em quem manipula massas para existir. Sejam governos, veículos de comunicação ou doutrinas.
Sei, pode ser da inúmeras bobagens que escrevo aqui. Mas antes, escreve-las.
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