Liberdade e seus paradoxos. Ponto e vírgulas.

O Brasil é uma nação de estado laico, constitucional e democrático. Ponto. Vamos agora, às vírgulas.

O mensurar de grandeza de uma nação não se encontra restrito a réguas que meçam o padrão de vida de seus nacionais e agregados, sua importância no cenário internacional, seu poderio econômico e aos seus níveis de educação e cultura.

Em plena Era das Comunicações, não vejo como excluir a honestidade na transmissão dos fatos desse rol de mensuráveis. E de muito já foi concebido que essa honestidade é uma espada de Democles para a imprensa brasileira. (No mundo? Hum… também, também.)

Já foi maior, mas ainda é gigantesco o poder de persuasão, convencimento e até manipulação e direcionamento de opiniões pela imprensa.

No Brasil, um país onde a esmagadora maioria tem no Jornal Nacional da Rede Globo seu canal de informação das coisas do país e do mundo, e, os telejornais de outras redes são pautados pelo jornalismo global, eis ai então, a porta de entrada para um desequilibro que vejo na composição do sistema, na medição do caráter evolutivo de uma nação.

Imprensa à qual se diz livre por estar numa democracia, é uma coisa. Imprensa que se diz livre por impor a sua democracia, cheira mal. E a Rede Globo de Televisão, fede.

E um fedor do “alguém peidou, não sei quem fui”. A Globo é do tamanho que é graças ao apoio dado ao regime de exceção pós 1964, quando pactuou com o sistema até onde deu. (Refresco de memória? Que tal ela, olimpicamente, ignorando o comício pelas Diretas Já ou então, editando as cenas do debate Collor x Lula, a favor de Collor?)

Acabou o regime de exceção, Lula é presidente em pleno exercício e… fim de susto. A Globo apalpou-se e viu que nada em si estava faltando. Estava tudo ali. Ufa!

Que tal agora, passar a fazer um jornalismo de verdade, uma vez que não corremos perigo de extinção? Mas, lá do fundo, o Joca falou:

“Peraí. Se abrir de tudo, vamos perder para a democracia, que a tudo discute e aprimora. Temos que salvaguardar nossos redutos. Vamos então, editar a própria democracia”.

E eis que, na democracia editada da Rede Globo de Televisão, a liberdade de expressão e o estado de direito são outros. O dela.

Acompanhem:

Quando ainda estava no governo a camarilha stalinista (Zé Dirceu, Luiz Gushiken, José Genoino), tivemos uma tentativa de dirigismo cultural e a Globo estrilou forte.

Primeiro, sorrateiramente em seus noticiarios. A seguir, acidamente por seus porta-vozes como a atriz Fernanda Montenegro (que depois tornou-se arroz-de-festa nessas ocasiões), e outras personalidades de sua telinha e de fora dela: OAB e ABI, sempre prontas e dispostas a tomar parte de qualquer iniciativa de luta contra os, também, “atentados aos princípios democráticos”.

Quem não se lembra de um ministro Gil (assustado) e um Gushiken (gaguejante) em entrevista conjunta, exclusiva ao assunto, dando o dito pelo não dito? O poder da imprensa atirou-os à parede. Um massacre que, digo de passagem, aplaudi.

Foi uma vitória da democracia mas foi o que lhe deu gaz para ousar em frentes outras, de seu exclusivo interesse. Estão lembrados dos horários restritivos a menores e aquela campanha imbecil de que os pais é que sabem julgar o que os filhos podem ou não assistir?

Onde, Dona Globo? Na Suiça ou na Philadelphia, até pode ser. No Brasil, que pena com a prostituição infantil, certamente que os pais não estão preparados para isso.

Sabem, acho que a Globo, sofre do “complexo de Israel”. (01) Israel segue confiando apenas em si para sua segurança no Oriente Médio, pois de inúmeras outras vezes que precisou da humanidade, com ela não contou (Não os apoio ipsis litteris, mas os compreendo). Confiar agora, como?

Assim é a Globo. Parece que precisa dessa afirmação a cada momento, como que se afrouxasse, corresse o risco de algum “chavismo” (02) por sua cabeça.

No recente episódio da Marcha pela Maconha, a Rede Globo noticiou a manifestação pela liberdade de expressão patrocinada pela OAB e ABI. Ao final da matéria, como de bom alvitre jornalístico, foram ouvir o outro lado, aquele que propugnou pelas proibições.

Se uma imagem vale por mil palavras, a expressão de Fátima Bernardes ao final da nota, quando reprisou as palavras do outro lado, vale milhões: “… a maconha é criminalizada no Brasil e suas manifestações são consideradas apologia à droga”.

Revivendo, sua expressão depois de dizer isso foi de “fazer o quê né, está errado isso!”.

E eu pergunto:

Não é isso, reflexo do terror auto-imposto pela emissora? Defender, mesmo que a custa de extrapolar nos critérios, seu direito de luta pela existência?

Calma Dona Globo. O sistema vigente, e qualquer que seja outro, é adesista aos comunicadores de massa. Naturalmente. Desista de vez da espada de Democles. A ti, ela não fará mal algum pois não me parece digna de seus pendores.

(01) – Complexo de Israel. Cunhei o termo agora. Parece-me a calhar.

(02) – Relativo ao presidente Hugo Chávez, da Venezuela, que recentemente não renovou a concessão de uma rede de televisão.

One Response to “Liberdade e seus paradoxos. Ponto e vírgulas.”

  1. Usuário digrigo no diHITT Says:
    Liberdade e seus paradoxos. Ponto e vírgulas….

    O mensurar de grandeza de uma nação não se encontra restrito a réguas que meçam o padrão de vida de seus nacionais e agregados, sua importância no cenário internacional, seu poderio econômico e aos seus níveis de educação e cultura….