Bordoadas à vista, mas para que serve um blogue se não for para deixar registrado essas coisas escrotas que meu degenerado cérebro insiste em não deixar passar?

Ou nem tanto e me aceito logo como um arquivo vivo das últimas décadas. É… talvez seja isso mesmo.

A Cláudia Raia, quando surgiu no início dos anos oitenta, foi festejada como atriz de talento. Um mulherão, uma cavala, mas não era apenas mais uma naqueles tempos magros em novos rostos. (01)

Atriz versátil, tanto deu-se bem em papéis dramáticos como em tipos espalhafatosos, parecidos feitos na medida para uma mulher grande e bonita.

Numa novela, ela fez uma dançarina (ou aprendiz) que não conseguia coordenar seu corpo (e grande, hem…) fazendo de rinoceronte em loja de cristais.

Na dança, não foram poucos os musicais que estrelou no teatro (Não fuja da Raia, o título do seu mais famoso espetáculo) e, na TV, com o Miélle, musicais que a Globo conseguia nos passar um pouco a impressão do que seriam os musicais da Broadway.

E dançava, hem. Tipo assim, a escola que deixou Cabaret, com Liza Minelli. Era mais ou menos aquilo, muitas luzes e dançarinos.

E humorísticos. Inesquecível é o seu Tonhão, no quadro “As presidiárias”, da TV Pirata, o antecessor do humorístico (nem tanto…) Casseta & Planeta. Cláudia Raia é uma atriz sim, e das boas. (02)

Começo dos anos noventa e o playboy Fernando Collor na Presidência da República, Cláudia Raia foi notícia de alcova por, diziam, manter um affair com o presidente pilantra ou com suas gentes. Sei lá.

Diziam que o presidente mandava jatinho da FAB vir buscá-la em Sampa ou no Rio…

O que há de verdade nisso, não sei. Pesquise por ai, se quiser saber mais. Mas que houve o burburinho e que foi forte, isso houve.

Mas o que vim fazer aqui, foi falar dela nessa novela em que agora está, a Favorita. Meu, por duas vezes ou mais eu fiquei encanado com o jeito feio e desengonçado que ela anda, principalmente quando de jeans e botas.

Uma ou outra vez, creditei aquelas passadas como expressão de um estado de espírito de sua personagen, a Donatella.

Depois, vi que em qualquer outro estado de espírito da personagem, ela portou-se da mesma forma em seu andar. Putz, parece o andar do general Urko, do seriado Planeta dos Macacos.

Se você não sabe quem é o general Urko do seriado, e nem mesmo sabe do seriado, sinto muito. A postagem já está muito longa.

(01) - A televisão não era ainda, a depois decantada “maquina de moer carne”, que exige rostos novos a cada tempo. A Globo não tinha a concorrência acirrada de agora e nem precisava da sua novela reveladora de novos rostos, a Malhação.

Estávamos saindo de uma ditadura e do pouco, dávamo-nos por satisfeitos como sendo bastante.

(02) - Se você viu um pouco da Favorita e achou-a canastrona com sua Donatella, eu também achei. Sei lá… Primeiro papel de vilã, muito tempo afastada da telinha… Talvez seja algo disso ou isso tudo combinado.

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