Carranca do Rio São Francisco

Sabem as carrancas que os navios do Rio São Francisco têm em sua proa? Sabiam que ali estão para afastar os maus espíritos?

E que tais carrancas não servem para se ter em casa porque em terra, elas atraem os maus espíritos?

Pois é… Fiquei sabendo disso ontem, pela TV. (01)

Um dia desses faço uma foto cá da bagaça para vocês entenderem como tenho postagens no blogue, só de ouvir a TV.

É possível concentrar toda atenção no pc e, ao mesmo tempo, ouvir as baboseiras da TV aberta, sem vê-la de frente e total comando do controle remoto.

Ontem, ouvi um famoso quem? no Programa do JÔ. Na maioria das entrevistas do JÔ, ele, suas interferências, é mais interessante que o entrevistado.

Sim, ele perdeu a mão muitas vezes no passado, mas a larga experiência o faz exímio agora, retirando o melhor do entrevistado (mesmo o pouco que exista), além das perguntas que ali lê, previamente preparadas pela produção do programa.

E o famoso quem? é um membro da Academia Brasileira de Letras. Estava alí, por um nada em especial (parece que TODOS que vão ao JÔ, o fazem para vender seus livros…) e a conversa, numa hora lá, girou em torno da eleição de um novo membro para a ABL para a vaga aberta com a morte de Zélia Gattai.

E pá daqui, pá de lá… O famoso quem? até disse que o JÔ poderia ser candidato… mas que tinha se expirado o prazo para inscrições…e tals… e tals…

(E o JÔ, almeja sim, uma vaga na ABL. Desde que seja “sarneyzada”, sem o risco de perder numa eleição (02)

Daí, ficaram naquelas reminiscências de antigos acadêmicos. De Olavo Bilac, que dizia serem os acadêmicos imortais, “porque não tinham onde carir morto…”; de um outro (que não captei o nome) que disse “preferia ser imorrível que imortal“…

Mas não lembraram a mais célebre, de Millôr Fernandes: “A Academia Brasileira de Letras tem 39 membros e um morto itinerante“.

Não acredito que o JÔ não soubesse dessa. E mesmo que soubesse e dela tivesse se lembrado, seria a piada tipo corda em casa de enforcado.

E não apareceu o babaca do dia na platéia, para lembrar. Pena.

(01) - Quem inventou isso, só pode ter sido algum artesão dos primórdios da carranca. Para receber logo seu dinheiro, para que tivessem como prioridade a retirada da carranca de sua oficina. Ou outra bobagem qualquer.

(02) - Numa célebre entrevista da Veja (salvo engano de memória…) com o ex-presidente general Figueiredo recluso (esse, cultuava a reclusão estando no poder), o general contava que o Sarney pediu apoio (no caso, uma ordem…) para ocupar uma vaga aberta na ABL.

Figueiredo, de seu jeito, achou de uma babaquice sem tamanho o favor pedido pelo correligionário, até zoando com aquele que seria seu sucessor na Presidência da República.

Hoje, Sarney é “imortal“. (Cuidem-se, os vermes da terra…)

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