Dos males da imbecilização, um menor, aplaudo novelas quando contribuem com a conscientização social, mesmo quando as abordagens pecam pelo excesso e irritam preconceitos. Afinal, sem um impacto a audiência não viria a polemizar.

Eu não conseguiria lembrar (ou saber) de todas as abordagens até hoje efetuadas. E talvez nem o queira, deixando isso com os leitores. Sirva-se, a caixa de comentários é sua.

E a propósito disso, a precursora deva ser o alcoolismo e na novela Vale Tudo (1986) da Rede Globo.

Renata Sorrah encarnava a alcoólatra Heleninha Roitman. Chocante, porque até então poucos sabiam do alcoolismo como doença e menos ainda, aceito e assim apresentado: por um rico (e mulher) como portador.

Sua atuação foi de relevância ímpar para o enfoque desse dilema social. Atrevo-me até a dizer que Heleninha Roitmam foi um divisor de águas no trato da doença do alcoolismo no Brasil.

Nos grupos de Alcoólicos Anônimos pelo Brasil, Renata Sorrah e sua Heleninha foram hype, uma musa que chegávamos a sonhar ter em nossos encontros, congressos e assembléias.

Graças a compreensão pelas tradições de AA por parte da emissora, as inserções que tratavam diretamente da realidade dos grupos de recuperação receberam consultoria. Conheci alguns membros de AA da época que as prestaram. Gratuitamente, como sempre são os serviços de informação sobre o alcoolismo prestados pela entidade.

Alcoólicos Anônimos é uma irmandade mundial e a entidade de maior sucesso na recuperação de alcoólatras. Dela originou-se todos os outros grupos anônimos de ajuda mútua ao redor do mundo. Os AAs doaram à humanidade seus métodos de funcionamento e organização.

Alcoólicos AnônimosMuitos ainda confundem o AA como um movimento de temperança, mas não é nada perto disso. O AA só é bom para alguém quando o beber se tornou algo incômodo em sua vida. Para o AA, a bebida em si não é o problema, mas sim, a pessoa doente. Da mesma forma que o diabetes numa grossa comparação: todos podem consumir açúcar, menos o diabético.

Ainda hoje é complicado explicar alcoolismo a partir da relação do indivíduo com a bebida. Para Alcoólicos Anônimos, só mesmo próprio indivíduo pode decidir se para ele a bebida se tornou um problema.

O anônimo da denominação, como de resto, é oficial. E não significa secreto. O anonimato tem mais a ver como uma prova de humildade, aquela que inibe um prócer nos serviços de AA disso tirar proveito pessoal, seja em prestígio ou econômico.

O exemplo vem dos primeiros membros, Bill W. e Dr. Bob, apenas assim conhecidos e desconhecidos nos livros de história, da história que iniciaram na primeira metade do Século XX.

O Zé da Feira (Eri Johnson), de Duas Caras, tem se mostrado marcante como um alcoólatra que procura recuperação em grupos de Alcoólicos Anônimos.

Deixo abaixo, um vídeo com uma das cenas da novela. Claro, com Heleninha Roitman em desbunde alcoólico.



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