Raul Seixas e a Sociedade Alternativa

Se eu não conhecesse os passos dados por Luiz Lima até a conclusão de sua obra “Vivendo a Sociedade Alternativa: Raul Seixas no seu tempo“, eu poderia especular que talvez se tratasse de mais um livro sobre o Maluco Beleza. Mas não é. Luiz Lima saiu a campo pesquisando acontecimentos de nossa recente história, mais precisamente dos “anos de chumbo”, como ficou conhecido o período da ditadura militar pós 1964.

Um de seus objetivos foi situar Raul Seixas, sua obra e seus seguidores durante o período da repressão, o que foi vivido por essas pessoas com respeito a silêncio imposto, a proibições de manifestações de toda ordem. O que dizer então, de um movimento que pregava a anarquia?

Raul foi “convidado” pelos militares da ditadura a deixar o país, assim como outros astros contestadores do regime. No caso de Raul, nem tanto pela contestação em músicas pois que ela foi muito inteligente e sútil, distante do alcance dos cérebros de tainha que existiam na censura federal, o Departamento de Censura de Diversões Públicas.

Ou alguém acha que a censura sacaria algo com o que ele disse em “Mosca na sopa”, “Rockixe” e em algumas outras de suas letras?

Contra sua Sociedade Alternativa tinham lá como parâmetro os censores, algo próximo de Canudos de Antonio Conselheiro, onde um anarquismo regional foi logo carimbado como ideologia política adversa ao sistema, o comunismo. Respeitado o século de distância entre um fato e outro, com Raul Seixas e a Sociedade Alternativa não foi diferente a reação do sistema (o monstro “sist”, como ele cuidava de citar, cifrado).

Luiz Lima viajou e entrevistou pessoas. Aqui em Barra Bonita, avistou-se com o capitão Hélio Palmesan, lendário lobo do Tietê, raulseixista e radialista por prazer que por muitos anos manteve um programa dedicado ao Maluco Beleza.

Vivendo a Sociedade Alternativa: Raul Seixas no seu tempo” é o livro que não deverá faltar na estante de seguidas gerações de “raulseixistas” que continuam nascendo. O próprio Raul indicaria o livro…

7 Responses to “Raul Seixas e a Sociedade Alternativa”

  1. Toca Raul!, o meme Says:
    [...] Luiz Lima, uspiano, escreveu uma Tese de Doutorado sobre o Raul Seixas e os movimentos da Contracultura jovem dos anos 60 e 70, pelo Departamento de História Social da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP. [...]
  2. Thiago Says:
    Sou estudante de Filosofia pelo CEs/JF (Centro de Ensino SUperior de Juiz de Fora), este ano me formo. Sou fã, deis da minha infância, desse grande músico que foi Raul Seixas. Gostei muito d matéria que este Blog têm desenvolvido sobre o músico.
    Gostaria, se possível, de receber por e-mail algumas informações sobre esse grande músico!!
    Desde já agradeço!!
    Abração
  3. Gabrielle Says:
    Acho que falar de Raul Seixas e não destacar os pontos obscuros e negativos que carrega em sua história é hipocrisia.
    Um homem muito inteligente, que morreu de forma deprimente sem descobrir NADA sobre a vida, muito pelo contrário, em várias entrevistas não está sóbrio e alcoolizado.
    Raul Seixas buscava o oculto, e a sociedade alternativa é como um marginal, está à margem.
    Como seria se aderissem à sociedade alternativa, onde temos um mundo sem regras e tudo que fazemos está ”debaixo da lei”?
    Acho muita coragem começar a criar um mundo dessa forma. Concorda com a liberdade de pensamento, democracia, mas Raul mistura tudo com Satanismo, promiscuidade, apologia ao álcool e as drogas…
    Repensem, pois o futuro começa em nós !
    E pq Raul fala tanto no diabo?
    ele o conheceu? nem ele mesmo sabe !

    paulinho respondeu em outubro 26th, 2009 10:02:

    vc é mó tosca o, como falar isso de raul, um dos unicos soreviventes dessa época oscura que o nosso querido país passou…vc não tem nenhuma noção do que é musica com sentimento

    wcs respondeu em dezembro 24th, 2009 0:40:

    eu concordo com gabielle, raul foi sim um marco na historia da musica brasileira, um compositor muito inteligente e critco, gosto de suas musicas e melodias, realmente um grande artista, no entantoi exalta-lo sem colocar o lado sombrio que sua filosofia o lembrou bem ressaltado pela colega é hipocresia, a idelogia da sociedade alternativa, tal ideologia era baseada na chamada lei de tellema onde seu autor é alester crolew, um homem que se dizia a besta do apocalipse,

    Gustavo respondeu em maio 5th, 2010 11:22:

    Minha cara Gabrielle, o diabo e o deus presente nas músicas de Raul fezem referência ao paganismo e não ao satanismo.
    A promiscuidade e as drogas só prejudicaram a si mesmo. A contrário dos “mensageiros da palavra de deus” que causam prejudicam a humanidade, limitando-a a sermos meros repetidores de salmos, cânticos e evangélios.

    Um abraço!

  4. wcs Says:
    raul sempre coloca a figura do diabo em suas musicas, ora apenas como simbolo de liberdade ou de recusão a regra como em rock do diabo, ora msm como um Deus como em gita, onde “Deus” dizendo ao homens, esse Deus é um Deus mutavel “eu sou eu fui eu vou”, esse Deus esta em tudo “eu sou o tudo e o nada”, apoiando a doutrina da nova era uma doutrina agnóstico,afirmando que Deus esta em tudo, tudo é Deus e portanto somos parte dele, e se somos parte deles os nossos desejos são divinos, “não existe Deus se não o homem”, portanto Raul Seixas nao foi apenas um compositor que exaltava a liberdade do homem ao extremo, foi tb um pregador de doutrinas agnóstica.

    Suas musicas são de fato inteligente e boas não nego que gosto, mas conheço suas filosofias sombrias e alerto as pessoas sobre elas.