Leis que não pegam e/ou que criam distorções

Sociedade é um organismo vivo, sabemos, e só não é mais fluídico porque necessitamos de regras para impor limites individuais.

Assim posto – impor limites ao indivíduo – parece confrontar cultura derivada do pensamento de Rosseau que conceitou ser “o homem bom e a sociedade é que o corrompe”.

É que, não havendo como medir essa bondade não estando o indivíduo ilhado, façamos então as regras para todos em cada um.

Na piada, como o político generoso no palanque prometendo um povo com poucas horas de trabalho e remuneração maravilhosa, o bebum do fundo reclama: “E das férias, ele não falou nada?”.

Desculpem a pantomima feita por lembrar ausência de previsão ou mecanismos coercitivos de distorções na legislação.

E isso nunca teremos eis que temos um dos Poderes Legislativo dos mais enfraquecidos, inoperantes, incompetentes e desmoralizado do planeta.

Ao ponto então:

Não existe uma lei que diz que as pessoas não podem ficar mais de quinze minutos nas filas dos bancos?

Essa é letra morta, né? Ceis acham que banqueiro vai contratar pessoal para o atendimento de fato?

Eles colocam umas atendentes bonitinhas para o “enrolamento” e vamo que vamo.

E que tal aquela outra que diz do privilégio do atendimento de idosos, gestantes e deficientes, um apêndice da primeira?

Por aqui, o que tem de vovôzinho vendendo saúde trabalhando para empresas e embaçando filas em bancos e Correios, “morando” em frente aos guichês com pastinhas atulhadas de duplicatas e outras contitas más, é um pé no saco.

O cara tem lá sua empresa e cuida logo de passar o emprego para o sogro, tio, avó, pai da muié que tá comendo  – aposentados, sim – aproveitando que tá dando um achego para um chegado (1/2 salário quase sempre), colocando os aposentados competindo com vagas na oferta de mão de obra tradicional no meio: dos rapazes e moças da faixa dos dezesseis anos e que tinham nessa função o seu primeiro emprego.

E apelar para o som senso em terras de Gerson, onde políticos e donos de carros se inscrevem no Bolsa Famíla, nem a velhinha de Taubaté para acreditar.

Manocu tudu mundo.

UPDATE: Anotei um comentário de quem não entendeu. Respondo por aqui porque acho mesmo que faltou.

A lei que beneficia idosos, deficientes e grávidas foi pensada como conforto para essas pessoas, exatamente para que não ficassem feito bestas, as vezes por horas, em filas para receber sua aposentadoria ou pensão, pagar uma conta de água, luz ou seu carnê do Baú.

Certo?

E só.

A distorção, é o aproveitamento das empresas para empregar idosos (invariavelmente, aposentados) de sua confiança com salários aviltados para ocuparem guichês resolvendo sua montanha de pepinos diários.

Certo agora?

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