Don’t cry for me Honduras

O senador Mercadante escreveu um artigo para a Folha de São Paulo defendendo a posição brasileira na crise hondurenha.

E destaco de lá:

Outros fazem uma defesa do governo golpista de Honduras, alegando que a saída de Zelaya foi decidida na Suprema Corte daquele país, como se o opaco verniz legal de uma ação que se iniciou e se encerrou em menos de 24 horas pudesse legitimar um inconfundível golpe de Estado, que resultou na expulsão, “manu militari”, de Zelaya de Honduras, ainda de pijamas.

Como assim, em menos de 24 horas? Não é bem isso que os fatos sustentam.

Segundo notícias, Zelaya aventou um plebiscito inconstitucional para mudar a constituição e isso não se dá em 24 horas.

Ainda mais, confome o noticiário, por mais de uma vez ele ignorou os ventos contrários.

Sabem como funciona(ou) isso?

Primeiro, o Chavez quendo estava nadando no dinheiro do petróleo a quase US$ 150 o barril, deu de fazer “caridade” generalizada pela América Latina.

Até escola de samba do Rio de Janeiro ele patrocinou um desfile.

Entre fazendo amigos e insuflando continuismos, Chavez chegou a disputar a posição hegemônica de Lula no sub-continente, não lembram?

E nessas, claro, Zelaya também estava em seu blogroll, em seus favoritos, seus estrelados.

E com o sucesso obtido consigo próprio em sucessivos plebiscitos, Chavez andou incitando muitos outros governantes – tão ou mais anti-americanos que ele – a fazerem o mesmo e se perpetuarem no poder.

(E nem tentem me dizer que plebiscitos em nações com metade de ignorantes, de desinformados, seja o supra-sumo da democracia. Inclusive por aqui. Vence, quem faz a melhor campanha de média)

Chavez mandou Zelaya ir fundo e ele foi. A oposição alertou: “Olha, isso é inconstitucional… isso pode acarretar perda de mandato e prisão. Olhe bem que está em nossa constituição… é cláusula pétrea, não pode ser mudada…”

Chavez continou a falar: “Vá! São todos uns maricón. Vá que eu garanto!”

E Zelaya continuou a ir e a oposição a alertar.

Deu no que deu, aconteceu dos caras da oposição não serem maricón.

E para se chegar a isso, seguramente não foram apenas 24 horas, ó Mercadante.

Olhem só que legal! O título Don’t cry for me Honduras surgiu em minha cabeça para essa postagem e dei uma googada para conferir a grafia.

E encontrei que existe um filme e  que trata exatamente de um golpe em Honduras. E blogado numa postagem de mesmo título.

Santa coincidência e premonição, Batman!

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