Alah-la-ô-ô-ô-ô!

Carnaval 2009

E mais ou menos assim, foram os bons tempos de meu carnaval. Aquele eu, hoje, não sobreviveria, não mesmo.

Sem contar que nem sei se dá para considerar o atual Carnaval, como sendo Carnaval. Carnaval sem Rei Momo gordo, sem confetes nem serpentina, sem lança perfume. Carnaval sem marchinhas. Carnaval sem Pierrot, Arlequim nem Colombina.

O reinado de um Momo destronado.

Em todo canto, é só essa porra de axé baiano e funk carioca. Em todo canto, é o mesmo do ano todo com os mesmos artistas de massa para uma platéia sem massa. Mas dela, quem precisa, quando basta saber o caminho da “boca”?

Serão quatro ou cinco dias de muito do mesmo de sempre. Para Carnaval, só lhe restou o divisor, de fato, que o ano acabou e o país começará a rodar seu sistema operacional no novo ano.

O business se impôs sobre a festa popular. Carnaval, só se for para ser o maior espetáculo “popular” da Terra.

“Popular”, assim com aspas, pois que o povo faz muito tempo é apenas um detalhe. Quem faz o Carnaval é sua indústria sócio-econômica, política e eleitoral.

Hitler também gostava de grandes concentrações populares. E se comparo, é apenas o método alquímico para concentrar a massa: Elimine o trabalho e estique a lona que  o povo comparece.

Mas divirtam-se. Ou descansem. Ou ainda, refugiem-se. Só não me digam que isso de agora é Carnaval.

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2 Responses to “Alah-la-ô-ô-ô-ô!”

  1. Sérgio Lima Says:
    Opa Xará!

    Mas Funk, também, pode ser legal :-)

    No mais, assino em baixco :-)

    abs

    Sergio respondeu em fevereiro 21st, 2009 18:42:

    Xará, prazer!

    Sim, sim… não é preconceito meu, sem nenhum elitismo, eu juro.
    É que ficou uma coisa só. Moro perto de um Centro de Convenções onde a prefeitura montou o Carnaval popular desse ano. E já estão tocando faz algumas horas.. e adivinhe, quem, quem?
    Sim, Ivete Sangalo. E parece-me que TODOS os seus hits.
    Essa massificação “matou” iniciativas. Tipo, o Silvio Santos, que sempre gravava marchinhas (e o Chacrinha lembra?)
    Prevalecessem personalidades assim, outros seguiriam seu caminho e as marchinhas de Carnaval teria sobrevivido.
    Saudosismo? Também não é, juro que não. Saudosista é aquele que compara a mesma coisa, modificada.
    No caso, juro que nada de diferente estou vendo no Carnaval do visto em bailes populares comuns, de meio de ano.
    Então, é coisa completamente diferente do Carnaval.
    E o interessante, é que a mudança foi repentina: sai tudo e fica-se só no bailão com axé.
    Só muda um pouco o “clima”, pois as pessoas estão com várias 24 horas seguidas disponíveis para a folia e mais tempo pelas ruas.
    Algum conserto nisso? Não, não há. É a lei do menor esforço, menores custos e maiores lucros.

    Abraços e obrigado pela companhia!