A nova greve de fome do bispo fransciscano Luiz Flávio Cappio, em protesto pelo transposição do rio São Francisco, já ganha os portais. Da primeira vez, o bispo avistou-se com um ministro do governo e colocou fim numa greve que já durava quase duas semanas.

Se você não tem acompanhado o que seja a transposição do rio São Francisco, seria a abertura de canais por onde teria escoado uma parte ínfima de sua vazão, beneficiando vários outros estados da região Nordeste.

O programa terá um custo de US$ 2 bilhões e foi amplamente discutido por setores ligados ao meio, pela imprensa (com direito a infográficos na Folha de São Paulo e FolhaOnLine) mostrando vantagens e desvantagens do programa.

Eu não sei, você não sabe e ninguém ficará sabendo se existem mesmo alternativas viáveis ao projeto. O que se ouve e vê, são ainda daquelas coisas de “Brasil, terra abençoada pelo Senhor”, com alusões a um enorme lençol freático cuja exploração seria economicamente mais viável. Eu não sei, você não sabe e ninguém ficará sabendo se existe mesmo água no subsolo nordestino.

Todos nós temos o Nordeste brasileiro como um sumidouro de verbas públicas para a indústria da seca. Isso é secular e tão fortemente entranhado que não é impossível acreditar que os “esquemas” para deitar e rolar nessa bolada já tenham sido montado (e politicamente negociados) há tempos e serem eles, o que agoram preponderam na decisão do governo em ignorar alternativas e até, a nova greve do fome do franciscano.

Caso seja invalidada a hipótese acima, e que seja essa obra a única viável para resgatar a dignidade de milhões de brasileiros nordestinos, então, o franciscano vai morrer de fome?

Ele, fica no discurso centenário do privilégio a poucos, mas só no discurso. E o governo, colocou o tema para ser debatido, por meses. Então, o governo tem argumentos. E argumentos vence discursos, nesse joquempô travado entre as partes.

O que temos então, senhores? De um lado, um presidente que quer passar para a história como aquele que resgatou o Nordeste de séculos de atraso em relação ao Sul/Sudeste (01) e de outro, um religioso que pode estar confundindo missão cristã com vaidade (02).

Que merda! Pelo lado do presidente, não tenho competência e nada ganho para descobrir se está com a razão. Pelo lado do religioso, se vai morrer de fome por um discurso vazio, também não há como saber.

Mas, antes morrer, porque o senhor bispo franciscano não elege sua ONG (ou funda a sua) de preferência, pede estudos detalhados, discute com a população ribeirinha, na imprensa, negocia com o governo ações desejadas no projeto, fiscaliza sua execução e etc… antes de apenas morrer por um discurso?

(01) - Estudos recentes mostram que tem diminuido bastante as diferenças socio-econômicas entre as regiões do Brasil. O aqueduto do São Francisco não seria uma a solução definitiva, mas aquela emblemática que passaria para a história.

(02) - Vaidade, sim. Chamar atenção do presidente, do mundo e até, do papa.

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