Sarneystão e sua história. Bem, um pouco.
Por absoluta falta do que fazer, ocorreu-me perder esse tempo relembrando para vocês um pouco da trajetória de Sarney na República.
Do Maranhão foi para Brasilia como deputado. Sobre sua trajetória no Maranhão, seu início na vida pública, é igual a de todo coroné do Nordeste. Então, poupem-me de repetições dos livros de Jorge Amado.
Vou começar de onde bem recordo, tá?
Mandato do General João Figueiredo como Presidente da República e o sistema se abria para os civis. O país ia de mal a pior e os generais queriam passar o bastão, obviamente.
Naquele mandato, o país entrara no FMI com pires na mão. Isso, logo depois das eleições legislativas, para não pegar mal para o governo, sabem.
Só se ouvia falar no país a entrada de dinheiro emprestado. Da mesma forma que o Corinthians fica hoje soltando nomes de craques que está contratando para camuflar as faltas do time, o Delfim Neto (Ministro da Fazenda) ia para NY, Londres, Toquio e París dizendo que ia buscar “dinheiro novo”.
Não votávamos para presidente nem governador. A eleição era por voto indireto e quem votava eram os delegados dos partidos e uns outros tantos privilegiados.
José Sarney era presidente do PDS (antiga ARENA), o partido de apoio ao governo. Como? Sei lá, acho que os militares o colocaram ali por ser um político de um estado pequeno, sem forças para encher o saco, entendem?
Do lado da oposição tínhamos o PMDB (antigo MDB).
Porque os partidos mudaram de nome? Foi uma jogada publicitária do governo militar. Como o MDB estava ficando cada vez mais forte a cada eleição, saiu uma lei que exigia que todo partido deveria começar com a palavra Partido no início do nome e com a letra P na sigla.
Uma tentativa óbvia de quebrar um pouco a marca do MDB, o Manda Brasa, e tentar revitalizar a sua desgastada sigla, a ARENA, em baixa nas cidades com eleitorado mais esclarecido.
E os líderes do MDB diblaram essa deixando o partido com o mesmo nome, apenas acrescentando o que pediam: PMDB.
Que, doutrinariamente, já não tem nada a ver com esse de hoje que vocês conhecem.
Outros partidos surgiram logo pela época, o PT, PTB e o PDT. Mas não lembro agora se já existiam por época dessa primeira eleição civil. Talvez sim, mas embrionários.
E vamos aos candidatos. Pelo lado do governo, Figueiredo tinha como o seu “dilminho”, o Ministro Mario Andreazza, dos Transportes.
Mas beeeem “dilminho” mesmo, sabem? Rede Globo mostrando a TransAmazônica e carinha de quem estava sempre por lá? Sim, ele mesmo, o Andreazza.
Andreazza (derrubando milhões de árvores ligando o nada para lugar nenhum) era o progressista a ser vendido aos telespectadores da Globo.
Só que Figueiredo não é Lula. Figueiredo tinha tanto jeito com política como Lula possa ter com a Literatura de Proust.
Maluf, então governador de São Paulo e ambicioso como nunca, começou longa caminhada comprando delegados do PDS a torto e a direita.
Venceu e foi o indicado do partido para a eleição indireta, que tinha como eleitores, delegados de todos os municipios.
(O turco era foda. Delegados do partido chegavam em Brasilia e eram rececibos por “modelos” no aeroporto. Depois, o acompanhavam até o hotel, especialmente reservado pelo turco para a convenção. O resto, é só imaginar.)
Andreazza perdeu a convenção partidária e foi para o ostracismo.
Nessas, a turma do governo que não teria espaço com o Maluf caso ele fosse o eleito, bandeou-se para a candidatura dos oposicionistas, com Tancredo Neves candidato.
Tancredo foi candidato de consenso pelos oposicionistas. Tancredo viera para o PMDB, vindo do PP (que esqueci de contar lá encima…) e não era militarista nem incendiário. Era de parola.
Tanto, que fora Primeiro Ministro no efêmero governo parlamentarista que tivemos no governo de João Goulart.
E o Sarney, o Antonio Carlos Magalhães (leia-se doutor Roberto Marinho) também não confiavam no Maluf. De jeito nenhum!
Tancredo, naquelas de “já que estamos no inferno nada custa abraçar o diabo”, compôs com essa galera toda, sendo que Sarney fora indicado para seu candidato a vice na chapa presidencial.
Nunca na história desse país tantos delegados eleitores encheram-se tanto de dinheiro como daquela vez.
Mas, como e esquemão estava todo com o Tancredo, ele comprou mais e melhor. E levou.
Morreu antes de assumir e José Sarney foi que assumiu.
Como Tancredo morreu? Cara, tem uma teoria conspiratória que ele teria sido morto, isso sim. Levara um tiro no bucho durante uma missa e, vejam vocês, foi presenciado pela jornalista Gloria Maria, da Globo.
Na “operação abafa”, Gloria Maria foi enviada para fora do país por um ano, só viajando pelo mundo. Justificava sua ausência enviando, vez por outra, matérias para o Fantástico.
agosto 29th, 2009 at 12:08
março 20th, 2010 at 7:09