Roberto Freire brizoleando…
Postado por Sergio em 05 Jun 2008 em 11:34 pm | Em: Política
Leonel Brizola foi um político difícil de agradar. Sua importância para a redemocratização do Brasil é inegável mas confesso que sempre esperei por sua posição contrária ao governo central. Qualquer governo central.
Quando Collor lançou o seu primeiro pacote, aquele que confiscou a poupança, nos torcemos por ele. Estávamos desorientados com a inflação galopante.
E eis que surge o Brizola na televisão, no horário gratuito de seu partido, dizendo… “… e agora, nos fazem beber mais esse cálice de veneno…”.
Puxa, de novo?
Antes, Brizola taxava o sistema todo como venenoso. Destronada a ditadura, teríamos ainda de conviver com mais venenos?
Brizola ora competiu contra Lula, ora aliou-se a Lula nas últimas eleições. Lula presidente, o partido de Brizola, PDT, veio a formar no governo. Mas por pouquíssimo tempo, eis que Brizola “queimou a frição” com a política econômica companheira.
Não foi trouxa. Se aderisse ao governo, perderia a identidade, entendem? Diz o ditado político: melhor ser cabeça de sardinha que rabo de baleia. Brizola caiu fora porque, na impossibilidade de ser a cabeça da baleia, preferia ser cabeça de sardinha.
Vieram os escândalos do primeiro mandato Lula e o PDT de Brizola já estava fora do governo. Alvissarás, pois o partido passou a usar o slogan “Partido das mãos limpas”. Justo, muito justo.
Brizola morreu, seu sucessor na presidência do PDT, Carlos Lupi, não resistiu ao reconhecido “canto de sereia” do poder e ocupa hoje o Ministério do Trabalho. Chegou a acumular as funções de presidente do partido e Ministro do Trabalho.
Umas liberações de verbas, obviamente tendo as gentes do PDT como preferenciais, “melou” esse acúmulo de cargos: preferiu ficar “apenas” como Ministro do Trabalho.
Agora, o tal Paulinho da Força, deputado federal pelo PDT de São Paulo e presidente da legenda no Estado, foi pego com a boca na botija.
Muitos lá, lá, lá de paisagem e outros nhé-nhé-nhéns usuais de tentativas de saídas pela esquerda, mas fica valendo o dito popular: “meteu a mão grande” na coisa pública.
Por falar então em mãos, depois dessa, foi de vez para as cucuias o lindo slogan “o partido das mãos limpas” do PDT.
De passagem passageira, anote também ai o falecimento do ilustre Senador Jefferson Peres, reserva moral da nação no partido. Inestimável perda para o partido e para o país.
O que restou? NADA!
E desse NADA é que me aparece agora o senador Roberto Freire, presidente nacional do PPS, com ácidas críticas ao governo Lula. Diz ele, que o governo é “incompetente e incapaz”.
Duvido que o senador realmente pense isso, integralmente. O que ele quer, é ocupar esse espaço crítico deixado por Leonel Brizola e esmerdeado pelo que restou no PDT.
Então, o PPS se apresenta agora como “o partido das mãos limpas”? É, né… sabem… assim agindo, Roberto Freire canaliza para seu nome aquela parcela de descontentes, hoje, minoria.
Sim, ele não está conversando com a maioria que aprova o governo. Criticando o governo, ele agrega onde outros partidos mais sólidos (DEM, PSDB) não estão conseguindo.
É isso. Nada pessoal, apenas estratégias da política. Se der negócio, todos conversam. Quando não dá, cada um tenta seu espaço entre os vivos. Até uma futura boa conversa.
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