O poder paralelo do tráfico e das milícias no RJ
Postado por Sergio em 26 Set 2008 em 01:25 pm | Em: Política
Primeiro, eu gostaria que vocês dessem uma lida no texto abaixo. É parte de uma nota entre a dúzia de outras que o César Maia publica em sua mala direta, conhecido como Ex-blog do César Maia.
1. Uns 4 anos atrás os traficantes da Maré resolveram que as contratações para a Vila Olímpica teriam que passar por eles.
A Prefeitura fechou a Vila Olímpica por mais de seis meses, até que a pressão da comunidade reabriu as portas da Vila Olímpica nas mesmíssimas bases de antes. Cabe a prefeitura gerir e contratar sem interveniência de meliantes.
2. Esta semana ocorreu caso semelhante no Posto Médico de Saúde da Família Silvio Barbosa. Traficantes tentaram impor normas ao funcionamento. A prefeitura fechou o posto e não admitiu nem suspiro de interveniência do tráfico.
Anteontem, com participação dos moradores, servidores e dirigentes da secretaria de saúde, ocorreu a reunião onde os moradores respaldaram a prefeitura e por aclamação decidiram reabrir o PSF Silvio Barbosa, nas mesmíssimas condições anteriores.
Reparem só com qual intimidade, com qual caráter de corriqueiro do cotidiano, é tratado o poder do tráfico de drogas no Rio de Janeiro.
É ou não, o tráfico de drogas no Rio de Janeiro, um poder paralelo de fato?
Enquanto isso, o presidente Lula brinca de santo canonizado em vida. Brinca de ser marketeiro de si próprio, brinca de querer ser líder mundial.
Sou um sujeito tido de esquerda, mas não me tasquem a pecha de cego. Já disse por aqui algumas vezes, que nosso presidente Lula tem feito um bom governo, mas que ainda deve. E muito.
E o muito que deve, não será camuflado por seu marketerismo vaidoso. Antes, em seu mandato anterior, não tomou uma atitude para buscar uma solução para o grave dilema da Segurança no Rio de Janeiro porque o governador era seu desafeto (Rosinha Mateus/Antony Garotinho).
Relevemos. Populismo de esquerda um e populismo de direita outro, nunca se conversariam mesmo.
Mas, e agora, que Sérgio Cabral é seu chegado, é seu “peixe”? Vai continuar tudo na mesma?
O Estado do Rio de Janeiro não tem mais forças - e faz tempo isso - para lidar sozinho com o tráfico e as milícias.
Esses poderes paralelo ao estado são já, “mijo na piscina” (01) no Rio de Janeiro, por culpa, agora mais do que nunca, da omissão do governo federal.
Quando leio notícias sobre o envio de tropas para várias favelas cariocas para garantir segurança no período eleitoral, penso: “Bem, talvez estejam fazendo algo sim. Talvez exista um planejamento para isolar esse mal e tratá-lo com o vagar do tempo e dos recursos”.
Qual o quê. E não é que explode na mídia que o PCC (facção do crime organizado paulista) é fornecedor de drogas para grupos do Rio de Janeiro? Então, esta isolado porra nenhuma.
Foda viu… é deprimente ler essas coisa logo no começo do dia.
O fato é que, se o combate a essa degeneração urbana antes requeria investimentos estratosféricos e de longo prazo, agora, se deixarem nesse “vai da valsa”, o próximo elemento histórico a se observar de fato na bela Rio de Janeiro será a guerra urbana.
Ou não? Tou falando bobagem? Me ajuda ai! Tou ou não tou falando a verdade? (02)
(01) - “Mijo na piscina” - Fantástica figura de imagem que li várias vezes pela internet.
É metáfora que alude ao que está de tal forma amalgamado com o todo que se torna impossível um processo reverso ao da catalisação.
(02)- Só para dar um toque dramático, “datenizado”, no final da postagem.
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E o Rio de Janeiro é Lula de cabo a rabo. Que nabo.