Mas é o nosso filho da puta
Fiquei para ver o Jornal Nacional e conferir se davam créditos às notícias sobre a mansão escondida do Sarney.
Nem uma palavra sequer. Para a Globo, o episódio não existe.
O Jornal se limitou a informar da reunião de Sarney com o presidente Lula e registrar o reflexo do apoio presidencial à sua permanênca no comando do Senado. Se é que comandará alguma coisa.
O anúncio oficial do extrato da reunião coube ao senador Mercadante. Espinhosa tarefa, pois que o senador nunca me pareceu tão constrangido frente às câmeras.
Mercadante parecia robotizado, alguma técnica de teatro eu acho, para articular umas poucas frases flexionando apenas lábios e língua.
Lembrei de quando os USA ajudavam a implantar e apoiavam ditaduras de direita ao redor do mundo.
As vezes, acontecia de algum ditador extrapolar nas medidas com essa amizade e vir a se tornar uma companhia incômoda para os norte-americanos.
Com Noriega, no Panamá, alguém que já não o tolerava mais referiu-se a ele como um filho da puta. Outro ao lado emendou: “É, mas é nosso filho da puta”.
É melhor um filho da puta como aliado que como adversário.
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julho 6th, 2009 at 23:50