Contagem de tempo para a aposentadoria de Gabeira
Postado por Sergio em 06 Mai 2008 em 11:22 pm | Em: Política
O Fernando Gabeira entrou com seu pedido de contagem de tempo para aposentadoria. Normal, comum e um direito de todos os brasileiros.
Eu disse: TODOS. Se você tem qualquer tempo de trabalho com carteira profissional assinada ou é/foi profissional autônomo, estagiário, serviço militar, liberal e empresário, contribui para a Previdência Social e gostaria de apenas tomar pé de sua situação, pode requerer sua contagem de tempo. Como amistosamente é conhecida.
O que o deputado fez de diferente, ou está diferente, é que foi um exilado no período ditatorial pós 1964. Como todos devem já saber, Gabeira foi um dos guerrilheiros envolvidos no seqüestro do do embaixador americano Charles Elbrick, em 1969. Depois, viveu no exílio, nove anos fora do país, de 1971 a 1979.
Mesmo estando fora do Brasil, o deputado alega ter trabalhado em jornais da resistência (O Binômio e o Panfleto) que foram empastelados e O Diário da Noite e Última Hora, que fecharam.
Dado aos precários e, quase sempre inexistentes, meios para comprovar trabalho e contribuição previdenciária simultânea daquela época, vale a presunção de que houve contribuição. Assim, fica ao segurado apenas o ônus de provar que trabalhou.
E o deputado só pede isso, essa comprovação, que pode ser feito mediante documentos probatório próprios, testemunhos e outros.
Certa feita, consegui juntar como prova de aposentadoria de um marceneiro, fotos suas dentro da marcenaria, trabalhando. E até, um cartão de aniversário enviado pela namorada, endereçado à ele aos cuidados da Marcenaria Tal.
(Sorte dele, que essa namorada veio a ser sua esposa. Senão, certamente o cartão não teria sobrevivido…)
Pelo menos, era assim em meus tempos de escritório. Não estou atualizado, mas não enxergo razões para que isso tenha mudado.
Mas, mesmo que não seja mais assim, o que o deputado está fazendo demais? Ele só tem em seu processo um pedido de contagem de tempo, e não exorbitantes somas a título de indenização como muitos outros receberam.
Os jornalistas Ziraldo e Jaguar, por exemplo, que embora tenham também lutado nas trincheiras pela democracia, foram aquinhoados pela Comissão de Anistia, cada um, com uma indenização de R$ 1 milhão e pensão mensal vitalícia de R$ 4 mil.
E pelo que sei, lembro e vivi, o Ziraldo e o Jaguar não sofreram nadica de nada com a regime militar. Eles continuaram no país e trabalhando. Teriam alegado o quê, esses homens? Lucros cessantes com o fechamento do Pasquim? Ora, vão à merda.
A título de que então, recebem indenização essa gente? E para os outros, nada? E milhões (só um exemplozinho, se me permitem…) de professores amordaçados, recebendo uma merraca desgraçada durante aquelas décadas? Não foram eles também, vítimas da opressão? Não tiveram um padrão de vida sofrível?
Concordo que o estado deva ressarcir os que realmente foram alijados do meio social pela força. A todos aqueles que perderam entes queridos e provedores familiares. Àqueles que foram desonrados e pagaram um alto preço pela afronta sofrida.
Mas tem muitos FDP por ai, só porque deram as carinhas em efêmeros segundos naqueles difíceis tempos e agora, amparados que estão pela massa pseudo-cultural que assola o sistema, são aquinhoados.
A “tchurma” do MPB, em primeiro plano, todos hoje uns lambe-botas do poder mediático e das benesses do poder político agregado.
Sabemos que por trás dessas manobras estão os sempiternos interesses do jogo político. Faz parte da merda que eles dejetam e nela, vivem a se lambuzar.
Sinceramente, não concordo que embacem um justo direito do deputado apenas porque é ele, um nome de projeção nacional positiva, de diálogo sóbrio. Espero que o bom senso prevaleça.
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