Ciro GomesLi um interessante palpite sobre palpite do Elio Gaspari, da Folha de São Paulo.

Primeiro, ele palpitou que o fogo cruzado passível de ser provocado entre PSDB e PT numa CPI dos cartões corporativos, pode levar os dois principais partidos nacionais a propiciarem o entorno para o surgimento de um Collor 2.0.

Para os mais jovens, lembro que Fernando Collor foi um fenômeno eleitoral, eleito Presidente da República abençoado que foi por Roberto Marinho e dinheiro (muito dinheiro) de grandes empresários. Quando digo, grandes, falo de bancos, empresas brasileiras e multinacionais.

O país vinha de uma inflação galopante no governo Sarney, sem créditos no exterior e como candidatos na oposição um ainda temido operário marxista chamado Lula (PT) e, pelos outros partidos, nomes conhecidos e de pouca confiança do eleitor.

Na preparação, Collor, então governador do pequeno Estado de Alagoas, começou a fabricar-se com uma demagógica e boçal “caça aos marajás”, brandindo a espada do moralismo a favor dos “descamisados”. Jovem e bem apessoado, tornou-se o cavaleiro da armadura dourada no corcel branco da salvação nacional: o salvador da pátria.

O segundo palpite de Elio Gaspari é quem seria a personalidade talhada para fabricar-se como moralista de plantão. E ele dá um chute, para mim, óbvio: Ciro Gomes.

Ciro Gomes está hoje em segundo lugar nas pesquisas (só perde para Serra, governador de São Paulo), tem pretensões, ambição e talento. Sim, ambição. Projetos, ainda é cedo para se dizer uma vez que não conseguiu unanimidade nem para o projeto da transposição do Rio São Francisco.

A primeira vez que vi Ciro Gomes na televisão foi quando ainda era prefeito de Fortaleza. Bem articulado, despertou a atenção. Governou seu Estado (Ceará) por mais de uma vez, foi Ministro de Estado e candidato a presidência, outras tantas. Experiente, então.

Concorreu com Serra e Lula, quando da primeira eleição desse último. Enquanto fazia sua campanha sem fazer campanha (bastava não ser o operário inculto ou o representante do continuismo ao governo FHC) Ciro Gomes vinha a galope na disputa. Bastou dois lances de seu proverbial “pavio curto” para as coisas começarem a desandar.

Não lembra ou não sabe? Bem, numa ele chamou de burro um eleitor do PT por uma rádio e noutra, disse que sua mulher (a atriz Patrícia Pillar) teria como lugar em seu governo, “dormir com ele”. Duas bobagens, mas bastou para que o marketeiro de Serra, (o Nizan Guanaes, se mal me lembro…) explorasse isso à exaustão tirando-o do páreo num segundo turno, onde contava com chances de vencer Lula.

O pior de tudo, é que ainda o comparam a Collor. O melhor, é que as novas gerações de eleitores que chegam não sabem quem foi esse presidente, sua história de governo e de impeachment.

A priori, gosto de Ciro Gomes. Espero que ele consiga fazer bom uso do palanque e mostrar-se mais maduro com respeito ao seu temperamento. E que seja convincente quanto aos seus pontos de vista, sem deixar-se levar por engodos como um Collor 2.0.

E que sua assessoria seja moderna, que entenda a existência de uns tais blogues na internet e que vale a pena acompanhar. Por aqui, pelos blogues, estou certo que muito aina se discutirá política e muito do que aqui se disser, formará opinião.

Se a assessoria não souber como, pode perguntar para qualquer blogueiro que ele ensinará de bom grado como ter todas as conversas sobre Ciro Gomes na internet, diretamente numa conta de e-mail ou num leitor de feeds.

É. Tamos phodeno sim, em política também.

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