Ainda os campos de petróleo do pré-sal

Aproveitando que estou relaxado, retransmito uma nota interessante do blog do César Maia.

Não moro no Rio de Janeiro, não sou eleitor do DEM, mas, retirando as notas nitidamente de cunho ideológico partidário, o mailing do César Maia vez por outra traz assuntos e reportagens interessantes.

Se não conseguem fugir totalmente de um enfoque ideológico, pelo menos elas se prestam como fonte de informações que permitem salutar confrontação com outras fontes. E confrontando, o leitor consegue retirar suas próprias conclusões.

Vejam essa reportagem sobre a bacia petrolífera do pré-sal:

1. Este Ex-Blog convidou três técnicos seniores da Petrobrás com especialização em pesquisa de petróleo em águas profundas e fez perguntas simples, que todos fazem:

Quais as reservas estimadas? Quanto custará a extração? Quanto tempo levará para se tornar comercial?

2. A primeira resposta é que nunca serão reservas inferiores a 30 bilhões de barris, mas podem ser 70, podem ser 100 podem ser 150, podem ser 200, podem ser até de 250 a 300 bilhões de barris (que nesse caso, seria uma Arábia Saudita).

O custo da extração (01), segundo eles, mesmo chegando aos enormes valores divulgados só seria um problema no caso de reservas mais próximas ao mínimo.

Fora disso as linhas de financiamento estariam disponíveis, pois é seguro o retorno. Quanto ao tempo para se tornar comercial, nunca seria antes de 2020.

3. Então este Ex-Blog perguntou: – Por que essa discussão sobre ter uma empresa nova ou não, para sua exploração?

A explicação é muito simples. Com as possibilidades de reservas estarem num amplíssimo intervalo entre 30 e 300 bilhões de barris, se uma empresa nova for criada, esta colocaria no mercado financeiro e de capitais, papéis cujo valor flutuaria de forma especulativa por pelo menos cinco anos, variando entre ser um “mico”, na pior situação, e ser um “maná” na melhor situação, para os especuladores.

4. E este Ex-Blog perguntou: – A quem interessa a empresa nova?

Resposta pronta: aos especuladores no mercado financeiro e de capital com enorme risco para o país, de especularem subavaliando as possibilidades das reservas, e ao próprio governo federal, que poderia adiantar receitas em curto prazo, mesmo que a risco de estar transferindo fortunas.

Por isso se discute onde aplicar as receitas do pré-sal doze anos antes de existirem. Fazer caixa a vista induzindo a especulação é o que pretende o governo federal. (02)

(01) – US$ 600 bilhões é o investimento necessário para a extração do petróleo brasileiro do pré-sal.

Comparem: Barack Obama, presidente, promete investir US$ 150 bilhões para eliminar a dependência americana do petróleo importado.

A partir de raciocínios conseqüentes, alguém por ai é fanfarrão ou temos um “mico” com o pré-sal. O USA deixando de importar, o preço do petróleo despencaria.

O que digo, é que acham muito pouco os US$ 150 bilhões que os USA investiriam em outras energias e tecnologias para sua independência petrolífera.

(02) – Não tenho a menor dúvida disso! Esse governo e qualquer outro governo brasileiro “faria dinheiro” antecipado, com papéis.

O país depois? Ora, o país…

3 comentaram sobre “Ainda os campos de petróleo do pré-sal”

  1. A retirada de petróleo com essa onde de biocombustível, consciência ecológica, luta contra a poluição e coisa e tal. Não seria nadar contra a maré será que o petróleo num futoro próximo será tão valioso?

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    Sergio respondeu em setembro 3rd, 2008 12:06:

    Oi, Rodrigo!

    Essa é uma das questões.
    Esses US$ 150 bilhões que o Barack Obama falou que investiria para eliminar a dependência dos USA do petróleo importado, é um dinheiro que iria para as pesquisas e desenvovimento de combustíveis e até, veículos alternativos.
    Se os USA tiverem sucesso, então o preço do petróleo despencará e talvez a retirada do petróleo do pre-sal não seja tão interessante depois.
    Vamos viver para ver isso, como ficará.

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    brsinal respondeu em fevereiro 2nd, 2009 1:44:

    Olha, substituir o petróleo como combustível é o menor dos problemas, e os EUA já investem em alternativa para combustíveis. O que torna o petróleo insubstituível é a sua aplicação como matéria-prima. Por exemplo, é inviável economicamente fabricar pneus e plásticos sem petróleo. Todos os bens que se compram por aí possuem algum derivado do petróleo. O que se busca hoje em dia é destinar o petróleo para a indústria petroquímica, e substituir o combustível por biocombustíveis, hidrogênio ou mesmo eletricidade, daí advindo as fontes eólicas, carvão, energia nuclear, etc…

    Mesmo assim, é interessante para o sEUA manterem o preço do petróleo baixo, para que as empresas americanas apresentem maior faturamento.

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