Dilma Roussef fotoDilma Roussef, Ministra Chefe da Casa Civil, tem sido cantada como a presidenciável preferida do presidente Lula.

Vestida de vermelho (à lá Marta ex-Suplicy?) (01), Dilma compareceu no Programa do Jô.

Eu já estava com tudo por aqui desligado, mas religuei para passar algumas impressões para vocês.

Uma entrevista bastante protocolar, eu digo que foi essa, com a ministra soltando-se (e só um pouco) somente ao seu final.

Dilma quase se limitou apenas em fazer propaganda do governo e do PAC (02), do qual o presidente conferiu-lhe a maternidade.

Afora isso, falou sobre o dossiê dos gastos de FHC, relembrou algumas passagens de seus tempos de guerrilheira, sua prisão e tortura nos calabouços da ditadura.

Ah, sim! E o JÔ lembrou seu “lado mulher” com uma foto sua quando do recente casamento de sua filha única e, num vídeo, sua emoção e firmeza no Senado, quando o senador Agripino Maia exacerbou na grosseria.

Dilma Roussef é tida como ótima gerente, workaholic, de fidelidade canina ao presidente Lula (acho que provou isso quando referiu-se a ele como “meu presidente”) e, visivelmente, sem teatralidade política para enfrentar as câmeras numa campanha eleitoral.

Mais que o visível com essa dificuldade, vejo como fiel retrato de sua personalidade como mulher pública.

Um “defeito político”, eu diria, e que pode representar uma ausência de traquejo e resultar em dificuldades recíprocas no seu relacionamento com os políticos tradicionais.

Mas não agora, com os eleitores. Com a real possibilidade de ser a preferida de um presidente com índices de aprovação jamais vistos na história desse país, isso será contornado.

Falo no depois, durante um seu eventual mandato como presidenta. Explico:

O presidente Lula, sendo um hábil negociador e tendo maioria nas duas casas do Congresso Nacional, vez por outra é premido por apertos.

Imaginem então, o que seria de uma presidenta “cintura dura”?

E nem acredito que a ministra mude seu estilo por vontade própria. Se o fizer, será por imposição de marketeiros acompanhada de ordem expressa de “seu presidente”.

E terá que começar já, antes da peleja eleitoral. Fazê-lo no período poderá parecer artificialismo e os adversários irão explorar isso. Seria um suculento item de contra-propaganda a embaçar sua campanha.

Mineira, a ministra fez carreira política no Rio Grande do Sul, passando por partidos e governos de esquerda naquele Estado. Vale lembrar que Dilma nunca disputou uma eleição.

(01) - Eu acho que foi a Marta, a primeira em esvoaçar um vermelho-PT, não foi?

(02) - PAC, o Plano de Aceleração de Crescimento, que nasceu com a anti-propaganda incluída (EmPACou?).

Foi anunciado com festa no início do segundo mandato de Lula, tem festa na assinatura de contratos de obras toda semana, mas dinheiro mesmo, ainda não se viu dele.

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