A crise em Honduras e esse Brasil gaiato
Passam os dias, renovam-se as informações e tudo me leva a crer que o governo brasileiro entrou de gaiato nessa crise de Honduras.
Conhecem a fábula do macaco e do gato? Aquela, que o macaco jogou algumas castanhas ao fogo para assar e usou das patas do gato para dalí retirá-las?
Pois é. E graças à fanfarronice do Chavez (o macaco), filtrado dos excessos, parece que foi dele a sugestão para que o Zelaya procurasse abrigo nas dependências diplomáticas do Brasil (o gato) em Tegucigalpa.
Confirmado isso, Chavez nem poderá ser censurado ou de alguma forma retaliado por Lula. Chavez poderá justificar sua ação na maior candura, se acaso vier precisar fazer isso.
A verdade é que Chavez escolheu o Brasil por conhecer suas ambições internacionais, conhecer a índole de seus dirigentes, sua relevância no cenário latino-americano e consequente aptidão para suportar as pressões que adviriam.
Diálogo que seria bom, necas de pitibiribas. O Brasil não conversa com os golpistas e esses, a cada dia dão uma volta no parafuso da tortura emocional e moral aos ocupantes da Embaixada Brasileira.
No entanto, eu já tenho dúvidas se são mesmo golpistas ou se estão no poder constitucionalmente. Tão ligados nessa?
Veja então:
A Constituição de Honduras tem lá uma cláusula pétrea (ou seja, irremovível, imutável) que diz ser crime tentar fazer exatamente tudo que o Zelaya tentou fazer.
O caras só erraram quando o montaram num avião e o despejaram fora do país, o que é típico de golpes de governo, uma forma de isolar lideranças.
E levaram o Zelaya como estava, de pijamas, como deve rezar a boa e velha versão para esses casos.
E Zelaya se prevaleceu dessa forte imagem para o mundo tê-lo apenas como vítima, seu país vítima de um golpe de estado.
E agora, o governo interino de Honduras (Sim, interino. Seguem as campanhas para eleições em breve…) ameaça retirar o status de dependência diplomática da Embaixada do Brasil.
O prédio se tornaria uma casa comum e com uma simples ordem judicial podem invadir e prender Zelaya.
Como entre os trinta ou quarenta hondurenhos que estão por lá com el jefe devam ter alguns trezoitão na cintura, essa merda prenuncia uma desgraceira.
Lula, se você não conversa com o governo de fato, converse com os caras. Seja pragmático, homem!
O que é que você, o Brasil, ganha com a manutenção dessa tensão e os riscos de uma merda geral?
A comunidade internacional, depois, isolar de vez Honduras por uns tempos, ganhamos porra nenhuma com isso.
Só irá atrasar aquele povo, que se perpetuará como fornecedor de produtos primários aos yankees, seu trouxa!
Os USA dando apoio apenas retórico - mais ao “cara” e nem tanto à restauração do status quo de Zelaya anterior ao golpe – foi um pé no saco de Lula.
Para mim, ele confiou no seu taco junto aos yankees e se deu mal, foi decepcionado.
Você quer a pecha de um ferrenho defensor da democracia até as últimas consequências? É isso?
E, interessante, é que a imprensa brasileira também chama o pesssoal do governo interino de golpistas, sem atentar para suas razões e direitos. Tem coisa nisso?
Se Lula, a diplomacia brasileira, não pensar rapidinho no caso, está a caminho de perder a parada.
E vejam ai, ô gente, se tomam cuidado com esses muy amigos que os cercam.
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Sergio respondeu em setembro 29th, 2009 2:48:
O que ainda não entende, é como a imprensa brasieira, tão critica do Lula, ainda chama o Micheletti de “golpista”. Destoante.
Abraços!
Sérgio
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Sergio respondeu em setembro 29th, 2009 21:05:
Parece-me que a queda de braço entre a diplomacia brasileira e o governo de fato em Honduras continua ainda nublado. Vamos aguardar mais um pouco.
E quanto a Lula ser um velhaco, na verdade todos eles são, os políticos.
Agora, vamos considerar que o Brasil é outro no cenário internacional, posição conquistada nesses últimos anos. E claro, decorrente de decisões cumulativas desde o governo de Itamar Franco.
Assim, existem estratégias de poder no jogo de xadrez politico mundial que só conseguiremos decifrar se Lula ganha ou perde essa aposta.
Mas só saberemos com o desfecho da crise.
Abração!
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