A Amazônia é nossa quem, cara-pálida?
A floresta amazônica está em transe. Que falta nos faz o genial Glauber Rocha para dimensionar isso, como quando viu por sua “câmera na mão”, os tétricos contornos de sua época.
A Amazônia brasileira se esvai, mas não é o esvaziamento da paisagem, da madeira que sai e dos bois e da soja que entram.
É pior que isso, pois a isso, alimenta.
A Amazônia se esvai porque ganhou contornos virtuais na ação governamental, deixando-a a mercê da volúpia de mercado, à sanha do crescimento sustentado no mundo.
Sim, sustentado. O mundo precisa sustentar suas taxas de crescimento econômico e fazer girar o círculo virtuoso (vicioso?): mais produção, mais renda, mais emprego, maior consumo.
Parece-me que confundem crescimento sustentado com crescimento sustentável.
Sustentável, seria o crescimento das riquezas com a adição no mercado de trabalho e consumo de pessoas retiradas da miséria, sem a defenestração do planeta. Já o apenas sustentado, é esse que tem levado o mundo para as calamidades climáticas.
As mineradoras precisam de combustível, as bocas das vacas precisam de pastagens, as bocas do homem precisam da soja e da carne que precisam, ao final, sustentar taxas de crescimento.
Vivemos, cruelmente, duas florestas: a real, que sangra longe de nossos olhos e a virtual, que governos e ONGs falam, teorizam, programam e legislam inutilmente.
A verdade, é que a Amazônia não é prioridade num pais onde as prioridades se acumulam sem soluções. A Amazônia, não é fundamental.
Anote essa palavra: fundamental. Gravem-na para reparar depois, quantas vezes são usadas em campanhas eleitorais na exposição de plataformas políticas. Para “eles”, isso e aquilo, mais disso, mais daquilo, é tudo fundamental.
Político brasileiro, adora o fundamental. E os grifos, é para você lembrar dessa postagem quando cansar de ouvi-la nos debates eleitorais na televisão.
Precisamos notificar o Aurélio que fundamental mudou. Agora, é sinônimo de esquecer no politiquês brasileiro.
E nem sequer um fundamentalzinho de merda eu ouvi a Amazônia ganhar nos discursos das últimas eleições presidenciais. Nem para isso ela se prestou nas campanhas.
A floresta amazônica tem rendido e renderá muito ainda, em pautas para colunistas de jornais no Brasil e no mundo. Claro, todos críticos com atual estado de coisas, onde os interesses dos preservacionistas não “conversam” com os interesses dos desenvolvimentistas.
Como (e quem ou o quê) poderia convencer os governadores do Mato Grosso e de Rondônia a cessarem o desenvolvimento agropecuário de seus estados? É uma equação complicada essa…
E o interessante na imprensa estrangeira (inglesa, a que li) é que surgem proposituras dos articulistas, no mínimo, curiosas. Uma vez li que um milionário comprou uma grande área de terras na Amazônia, para preservá-la, aconselhando a todos os milionários do mundo que seguissem seu exemplo. Hoje, li de um articulista, a proposta de um “Plano Marshall” para todas as florestas tropicais.
Claro que são posições discutíveis, indo do excêntrico ao simples despejar de tinta no papel. Mas, pelo menos, tem alguém no mundo pensando soluções.
Olha, devem ser tantos e variados os interesses em torno daquela área, que seria possível formatar não uma, mas várias teorias conspiratórias. Enfim, se quiser ler a minha, fique ligado nesse blogue que qualquer dia descarrego ela.
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