O brinde

Um brinde
À agonia sobre-humana
Da aceitação da tristeza
Da procura às cegas
Da fluência convulsiva
Do gosto obsessivo
Da razão atípica
De crueldade horrendas
Sobriedade extrema
Desespero metafísico
Angústia maldita
Bendito o desassossego
que efetiva a vida!

O poema “O brinde” é de Suyan Melo e tem uma história. Nos primórdios do Clube Amigos das Letras, no tempo do ICQ e conexão discada a pulso único, eu ficava madrugadas afora com autores orientando estilos e macetes na construção literária de textos curtos.

Suyan mostrou-me esse poemeto e interferi apenas no título e na primeira estrofe, de forma que levasse o leitor a uma compreensão imediata de seu inteiro teor. Contista em fase “rodriguiana” que ela estava, disse-lhe para amenizar o grau de complexidade em suas criações para abranger o alvo do Clube Amigos das Letras: os iniciantes na leitura.

Esse poemeto foi depois enviado por ela para um concurso literário, Poesia no Ônibus (Santa Catarina) e ela faturou com ele, um dos primeiros lugares. Agora, quando estávamos revisando “filhos da Luz“, não sei como ele surgiu em minha frente (em seu computador ou anotações…) e editei-o no rodapé da página de créditos do livro.

Ei-lo novamente, mais que apropriado para esse 14 de Março, o Dia Nacional da Poesia.

E com ele, minha homenagem à minha confraria.

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