César Maia e uma teoria conspiratória

Tenho um amigo advogado. Certa feita, ele defendia da acusação de homicídio um cara que havia esfaqueado a esposa.

Todos os fatos e testemunhos rogavam contra o acusado, não havia defesa possível em respeito à autoria do crime.

Ele formulou uma teoria defensiva tão bem “amarrada” que só me faltou concluir que na cozinha onde se deu o crime, tinha uma faca encantada que saíra de algum lugar e se cravara no peito da mulher.

Afinal, ele precisava apresentar algo para justificar os honorários que vinha recebendo da família do acusado.

O caso foi a júri popular e claro, sua defesa, apresentada por um outro advogado também amigo nosso mais ator que advogado, fora rechaçada.

Assim me parece essa teoria estrambótica do César Maia, divulgada por seu boletim informativo que ele chama de ex-blog:

2009: LULA E A PERCEPÇÃO INTERNACIONAL!

1. Merece uma avaliação cuidadosa a percepção internacional sobre Lula. Os elogios; os destaques na imprensa, como Le Monde e Financial Times; o artigo de Zapatero, chefe de governo da Espanha; o “cara” declarado por Obama; tudo converge para um ano de consagração. Mas ao mesmo tempo, todas as demandas do Brasil por espaço nos órgãos internacionais foram amplamente derrotadas. Assim foi na Organização Mundial de Comércio (OMC), assim foi na Corte Internacional de Haia, como também deixada na gaveta a pretensão brasileira de mudança no Conselho de Segurança da ONU com um lugar permanente.
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2. Colocando a lupa mais próxima aos fatos, o ano de 2009 começa com uma crise financeiro-econômica que projetava o risco de uma desestabilização política, além da econômica, pelos quatro cantos do mundo. A crise de 29 é exemplo disso e a Europa foi seu palco principal, na Alemanha, dando sustentabilidade ao regime italiano, reforçando o falangismo espanhol, o salazarismo, o bloco soviético… É uma memória viva.
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3. O primeiro alívio veio com as eleições na Índia, em maio, com a vitória da aliança governista. O segundo veio com a eleição para o parlamento europeu com a vitória do PPE, de centro-direita. Obama apontou na direção da estabilidade política e os que imaginavam que traria mudanças políticas fortes, em pouco tempo entenderam que não era assim. As relações entre EUA, China e Rússia apostaram na estabilidade e deram visibilidade a isso.
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4. Os riscos estavam concentrados na América Latina e especialmente no Brasil, por sua dimensão e repercussões na geopolítica regional e na economia. O Brasil precisava ser neutralizado e acomodado. E o sinal veio da primeira reunião oficial do G-20 para tratar da crise mundial. Recebido com pompas e circunstâncias por Obama, a apresentação de Lula por este como “esse é o cara” a outros líderes mundiais mostrou-se muito bem sucedida. Lula teve um comportamento convergente na reunião e ainda saiu reforçando o papel do FMI com aporte de capital.
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5. Mas o artificial da projeção de Lula era tão evidente, que ele, em seguida, deveria dar sinais de independência para a esquerda. E assim foi em sua viagem à Venezuela, nas afirmações sobre as bases colombianas e os EUA, na intervenção -desastrada- do Brasil no caso de Honduras, e na visita do presidente do Irã. Tudo foi bem entendido pelos líderes dos EUA, França e Reino Unido, que se mantiveram silenciosos e compreensivos.
Não sou petista nem fã incondicional do Lula ou de seu governo para escrachar com a oposição, isso não. Mas também, não dá para ler calado essas “viagens”, frágeis à menor análise.
Mas eu entendo. É como no caso de meu amigo advogado. Na falta de argumentos lógicos é preciso jogar para a platéia, no caso, as bases do próprio DEM que precisam de um discurso.
Qualquer discurso, mesmo que a inspiração venha da série Missão Impossível.
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Agora vai

Já pensou o dia em que o Papa se tocar
E sair pelado pela Itália a cantar

(Raul Seixas, em “Quando acabar o maluco sou eu”)

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2010 o cacete. É apenas mais uma ressaca de feriado prolongado. De pouco comum a observar, é que são dois os dias disponíveis para se curar.

Isso, para os responsáveis que tenham compromisso na segunda-feira é claro. De resto, convenções.

Medir e classificar o tempo se faz necessário, a vida moderna assim exige. Mas é algo que nasceu por necessidade econômica, com os romanos, para saber e deixar sabido quando voltariam para buscar os tributos devidos.

Com exceção disso, a natureza cuida do resto. A natureza cuida dos tempos de plantio e colheita e a natureza humana bem particular dita quando devemos comer, cagar ou trepar.

Calendários então, para quê?

Para reuniões familiares, não se precisam datas. Bastam famílias, oras. Para festejos coletivos então, o que efetivamente mereceriam festas?

O homem festejava coletivamente uma boa colheita ou coleta. Agora, festejam coletivamente as datas, independentemente de como estão colheitas ou coletas.

Quem liga para para as enchentes matando?

Ou para o planeta morrendo?

Foda-se, eu quero é festar nas datas das festas.

É 2010, é Ano Novo e agora vai. Mas vai continuar se repetindo com datas para isso, aquilo e aquele outro.

A natureza seguirá seu curso em ziguezagues e nosso tempo catalogado passará por ela – indiferente até enquanto for possível – como uma linha reta sobreposta.

Consegue imaginar a imagem?

É uma merda toda para para me deixar com o cu na mão, pelos filhos nas estradas.

Só isso.

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Cuzices de um pai cuzão

Cara, essas merdas só na gringolândia mesmo. Por aqui, duvido que um outro responsável por uma criança permitiria tal feito. Caso pai e mãe tenham concordado com isso, então é caso de empalamento sumário de ambos.

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Previsões para 2010 – Parte II

01 – Comediantes do stand up (pronuncie estanrapi) continuarão a surgir pelas telas da TV para, logo em seguida, nunca mais serem vistos.

02 – Ivete Sangalo será vista e ouvida ad-nauseam desde agora até o fim do Carnaval. (Na Bahia, até o próximo Natal)

03 – Diretores e integrantes das escolas de samba do Rio de Janeiro protestarão chorando, xingando os jurados, culpando a organização do desfile, culpando a conjunção de Marte com os anéis de Saturno, quebrarão cadeiras e mesas… por causa daquele meio ponto que faltou para o título.

04 – O apresentador Serginho Groismann comemorará, com pulinhos e meneios juvenis de cabeça, sua entrada na adolescência.

05 – O aumento de acessos ao Orkut, diretamente vinculado a redução de impostos sobre computadores, se firmará como fiel repositório do miguxismo. Ninguém tasca.

06 – Se o Brasil não chegar as finais da Copa da África, os brasileiros torcerão por um time azarão com chances nenhuma de chegar ao título.

07 – Se o Brasil for campeão na África, Dunga será chamado de gênio. Qualquer outro resultado fora desse, Dunga será xingado de burro.

08 – Romero Jucá será líder no próximo governo. Qualquer governo.

09 – Via seus comentários em feeds, o meu amigo e xará professor Sérgio mandará Regina Duarte e FHC chuparem o governo Lula. Sigam-no para conferir.

10 – Continuarei achando divertido ouvir como apresentadores do rádio e da televisão pronunciam títulos em inglês. (Sexy and the City, por exemplo, é sequisenciri = sequis + en + ciri, com o erre quase imperceptível). Igual aos yankees, sabem?

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