Se é para desfazer outra vez, para que fazer de novo?
janeiro 20th, 2010O que o Haiti tem a ver com as áreas de risco de desabamentos de encostas e enchentes no Brasil?
Têm, que depois de passado a desgraceira peculiar de cada caso, toca reconstruir o que foi materialmente destruido. E a vida dos que ficaram, é claro, que também precisam de auxilio.
E tome incontáveis milhões e milhões de dinheiro para isso e, para sorte geral, ainda nos reconhecemos como humanos e tanto o estado legal como as pessoas colaboram com isso.
Por outro lado, essas reconstruções fazem parte do sistema econômico, pois faz girar o dinheiro desde construtoras civis a fabricantes de moveis e eletrodomésticos.
Pronto, acabou?
Não, né, se fico a pensar que o Haiti pode sofrer um novo terremoto tão logo seja reconstruido. E, no caso do Brasil, sabemos que ano que vem as chuvas voltarão e com ela as trombas d´água e suas consequências.
Qual a saída, então?
No Brasil, (de conversa de bar essa) estamos por adquirir a consciência sobre os limites da vida frente ao mundo modificado pelas mudanças climáticas (“Não dá mais para neguinho morar em beira de rio. Isso acabou”)
Entupir encostas de barracos? Aposto que os organismos de controle estarão mais atentos e as pessoas, mais ainda.
Porra, se alguém sabe da merda possível em construir uma casa numa encosta, só posso lhe desejar boa sorte. Mas jamais sofreria por ele em caso de se estrepar.
Sim, eu sei que as coisas não são simples assim. As pessoas precisam morar e nem sempre é possível isso de maneira segura. Mas não aceito que não considerem os perigos para sua família na base do “se acontecer, aconteceu. Deixo nas mãos de Deus”.
Áreas de risco ocupadas deveriam ser de competência federal, eis que é o governo federal quem dispões de recursos para financiar moradias.
E a tal “queda de barreiras”, também não está cansado de ouvir e ver? Essas, são estradas feitas cortando encostas de morros e montanhas, um modelo que precisar ser trocado por pontes e túneis. (Haja grana para isso…)
E o Haiti então, o que fazer?
Que tal a solução do grande mestre de boteco Luisão, “muda todo mundo e deixa crescer mato“?
E não é que existe uma proposta para isso? O Senegal propôs a criação de um Estado do Haiti em seu território, para onde poderiam imigrar (ou emigrar?) os ilhéus.
O Senegal, assim como quase toda África, buscaram inspiração no Haiti como primeiro país independente da América Latina, para sua própria independência.
E, sem precisar ser muito esperto para adivinhar, sabem o que será feito ante uma opção?
Evidentemente, aquela que for mais lucrativa para alguns. (Acham que o lobie das grandes construtoras estão como agora, vendo chegar ao primeiro bilhão de dólares as doações para a reconstrução do Haiti?)
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