Lilia Teles é quem foi a heroína
Reportando à postagem anterior, onde conto da cooperação do Exercito Brasileiro com a Rede Globo, sequencias da reportagem de resgate de uma mulher soterrada faz-me voltar ao assunto.
Ontem, os jornais da Globo mostraram a repórter Lilia Teles visitando a mulher, agora salva, no hospital de campanha montado pelo Exército. E Lilia Teles com aquelas conversas de “é gratificante ver o resultado”.
E um “gratificante” com todo sentido desses usados quando a pessoa não ganhou dinheiro, não conquistou uma vitória pessoal, e sim, ver que um seu gesto fraternal e humanitário valeu uma vida e, mais que isso, a esperança de um recomeço.
Algum Grilo Falante na Globo deve ter alertado: “Epa, parem o mundo. Nós somos imprensa, nós estamos aqui para relatar os fatos e não para interferir neles”.
Então, hoje no Fantástico, apresentaram o mesmo enredo porém, tendo como ator principal o oficial militar que constatou aquela vida entre os escombros.
Só constatou, pois a quase dezena de haitianos que por ali estavam já sabiam disso. E ademais, nem foi de iniciativa dos militares parar a comitiva para averiguar.
Todos viram que o comboio passaria batido pelo local não fosse a jornalista Lilia Teles a pedir: “Olhem, aquelas pessoas parecem que encontraram alguém. Será que está com vida? Parem, vamos parar para ver se é alguém com vida”.
Porra, tá na cara que ela é que foi a heroína.
E porque então, hoje no Fantástico armaram um teatro com o militar? Ora, primeiro, porque a história ainda daria um bom caldo e seria de muito bom tom creditar o heroísmo ao Exercito, que tem sido super legal com a emissora. Não acham?
E botam lá, o oficial a lavar-se, barbear-se e colocar roupas limpas em meio a uma guerra para aparecer no Fantástico, pois não? E com a família, “por acaso”, toda reunida no Brasil.
E porque um repórter não pode receber o crédito por ter salvo uma vida? Seria isso alguma síndrome Kevin Carter?
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